Permitir o rastreamento em aplicativos como TikTok e Instagram pode transformar a experiência do usuário, resultando em um aumento significativo de anúncios personalizados e sugestões de conteúdo mais direcionadas. Um teste de sete dias, realizado por uma usuária, demonstrou como a ativação dessa configuração altera o fluxo de informações nas redes sociais.
A pesquisa, feita em um iPhone, consistiu em ativar a opção “Permitir Rastreamento” nos aplicativos e observar as mudanças. Nos primeiros dias, houve um aumento geral na quantidade de conteúdo e propagandas relacionadas aos temas de interesse da usuária. A partir do terceiro dia, os algoritmos começaram a se ajustar, exibindo vídeos e anúncios sobre buscas feitas fora dos aplicativos, como rotina de sono de bebê e introdução alimentar.
Segundo a usuária, na segunda metade da semana, a personalização se tornou mais agressiva, com anúncios repetidos e focados nos mesmos produtos ou categorias. O feed do Instagram, por exemplo, passou a ser dominado por conteúdos de maternidade, enquanto temas anteriores, como moda e viagens, desapareceram. Essa intensidade levou a uma sensação de cansaço e à percepção de que as redes sociais se tornaram uma vitrine constante.
Impacto na experiência do usuário e consumo
O resultado do teste indica que o rastreamento funciona de forma progressiva: inicialmente, aumenta o volume de conteúdo; em seguida, refina os interesses; e, por fim, intensifica a repetição para estimular a compra. A usuária relatou ter sido influenciada a adquirir roupas devido à insistência e precisão das recomendações.
Além disso, a quantidade de soluções oferecidas para melhorar a rotina de bebês, por exemplo, gerou uma ansiedade e a criação de necessidades que antes não existiam. Ao final da semana, a experiência se tornou exaustiva, transformando as redes sociais de plataformas de socialização em ambientes voltados para compras e “necessidades criadas” pelo algoritmo.
A experiência destaca a importância de compreender as configurações de privacidade e rastreamento nos aplicativos. No contexto da Bahia e do Brasil, onde o uso de redes sociais é massivo, a personalização extrema pode ter um impacto significativo nos hábitos de consumo e na saúde mental dos usuários, que são constantemente expostos a estímulos de compra e informações direcionadas.

