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Periquito-cara-suja renasce na Caatinga após mais de um século sem registros

Nascimento de filhotes em reserva entre Ceará e Piauí marca retorno da espécie ameaçada de extinção à vida livre
Por Redação
Periquito-cara-suja renasce na Caatinga após mais de um século sem registros
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O periquito-cara-suja (Pyrrhura griseipectus), espécie símbolo da Caatinga e ameaçada de extinção, voltou a se reproduzir em vida livre na Reserva Natural Serra das Almas, localizada entre o Ceará e o Piauí. O nascimento dos filhotes, ocorrido em 17 de março de 2026, é o primeiro registro na região em mais de 100 anos.

Os filhotes nasceram em caixas-ninho instaladas por pesquisadores para simular cavidades naturais de árvores. O evento representa um marco histórico para a conservação brasileira, conforme a Associação Caatinga, responsável pela iniciativa.

Segundo Fábio Nunes, coordenador do Projeto Cara-Suja, o nascimento em tão pouco tempo indica a boa adaptação das aves ao novo ambiente. "Um dos principais sinais de que a reintrodução está dando certo é quando a espécie começa a se reproduzir", afirmou o especialista ao g1.

Reintrodução e Adaptação na Caatinga

A reintrodução do periquito-cara-suja na Serra das Almas começou em 2024. Atualmente, cerca de 23 indivíduos vivem soltos na reserva, reconstruindo gradualmente a população da espécie, que esteve ausente da área por mais de um século.

O processo de adaptação foi complexo, pois as aves, originárias de uma região mais úmida, precisaram aprender a sobreviver na Caatinga. Elas desenvolveram a capacidade de reconhecer novas fontes de alimento, identificar predadores e ocupar território.

Os ninhos onde os ovos foram encontrados são caixas de madeira estrategicamente posicionadas para suprir a escassez de ocos naturais. Ao todo, 33 ovos foram localizados nessas estruturas, confirmando o sucesso reprodutivo.

O projeto Refaunar Arvorar, responsável pela iniciativa, busca devolver à Caatinga espécies que tiveram suas populações reduzidas ou desapareceram. Além da soltura dos animais, o trabalho inclui o plantio de espécies nativas, instalação de comedouros e monitoramento constante.