A província da Terra do Fogo, na Argentina, autorizou a produção industrial de salmão, uma medida que pode causar danos significativos aos ecossistemas locais. A decisão, tomada em votação apertada no final de 2025, reverte uma lei de 2021 que proibia a atividade.
A região, conhecida como "Fim do Mundo", é um famoso destino turístico e abriga uma rica vida selvagem, incluindo leões-marinhos, golfinhos e baleias-francas-austrais. A nova lei deveria ser regulamentada pelo governo provincial até este domingo (15).
Segundo pesquisadores ligados ao tema, a mudança de postura de parlamentares que antes eram contrários ao projeto gerou controvérsia. A legisladora Mónica Urquiza, que apoiou a proibição em 2021, agora presidente da Câmara Legislativa, teria impedido a participação popular no debate.
Impactos ambientais e econômicos do salmão
A criação de salmão, espécie nativa do hemisfério norte, é associada a diversos impactos ambientais, como a fuga de peixes que prejudicam a fauna local e o acúmulo de resíduos que reduzem o oxigênio da água. No Chile, onde a introdução do salmão ocorreu há mais de um século, cerca de 70% dos peixes nativos enfrentam problemas de conservação, conforme biólogos.
O Fórum para a Conservação do Mar Patagônico (FMP), que reúne 30 organizações de Argentina, Chile, Brasil e Uruguai, alerta para o uso intensivo de antibióticos na criação de salmão, associado ao surgimento de bactérias resistentes em humanos. O temor é que esses problemas se repitam na Argentina.
A justificativa para a liberação da atividade é a promessa de crescimento econômico e a geração de pelo menos quatro mil empregos, em um momento em que a Argentina enfrenta uma crise econômica prolongada. No entanto, especialistas apontam que a mudança de posição do governo pode estar ligada à eliminação de tarifas de importação sobre produtos eletrônicos, que afetou a indústria local.
A nova lei determina que o governo provincial realize uma avaliação ambiental e exige estudos de impacto ambiental de cada fazenda. A fiscalização caberá às secretarias de Pesca e Aquicultura e de Meio Ambiente, mas cientistas e ambientalistas expressam dúvidas sobre a capacidade de monitoramento do governo local.

