Um coletivo de 16 pequenas editoras de diversas regiões do Brasil, incluindo a baiana Solisluna, uniu forças para participar da Bienal do Livro do Rio de Janeiro em 2025. A iniciativa, batizada de Compiladas, visa dar visibilidade a produções independentes em um mercado dominado por grandes grupos.
A união permitiu que cada editora rateasse os custos de um estande no evento, que foi declarado Capital do Livro pela Unesco. O investimento individual foi de cerca de R$ 30 mil, cobrindo aluguel, montagem e cenografia, conforme informou Kin Guerra, sócio-diretor da Solisluna.
Segundo Kin Guerra, a colaboração demonstrou a força do coletivo e a importância de se juntar para competir no mercado. Ele descreve o Compiladas como uma "antologia de editoras", focadas na qualidade editorial e no debate contemporâneo.
Reconhecimento e desafios das pequenas editoras
A Solisluna, sediada em Lauro de Freitas, na Bahia, já havia sido reconhecida em 2024 como finalista do Bologna Prize Best Children's Publishers of the Year, um prêmio internacional de livros infantis. O selo se destaca pela curadoria de autores e temas, além do esmero nos projetos gráficos.
A logística de distribuição é um dos principais gargalos para as pequenas editoras, conforme explica Kin Guerra. Ele ressalta que o mercado editorial demanda profissionais específicos em cada etapa da produção e que "vender livros não é como vender qualquer outra coisa, o cliente tem que ser leitor".
A iniciativa do Compiladas vai na contramão da tendência de grandes editoras adquirirem selos menores, preservando a independência editorial. O estande do coletivo foi eleito o segundo melhor da Bienal do Rio, o que gerou um convite formal para a participação na Bienal do Livro da Bahia.
Entre os títulos que a Solisluna leva à Bienal da Bahia, destacam-se "O poder das palavras e outros poderes", de José Castilho, e os infantis "É de Ler, de comer ou de brincar", de Sálua Chequer, e "Amara mo opará, o canto do rio", de Tamaruhi Tuxá. No total, o Compiladas apresenta cerca de 1.300 títulos.
A editora fluminense Tabla, também integrante do coletivo, foca em autores e assuntos relacionados ao Norte da África e à Ásia Ocidental. A sócia Laura di Pietro afirma que as pequenas editoras cumprem o papel de oferecer diversidade de narrativas e acesso a literaturas que, de outra forma, não chegariam ao público.
Próximos passos e futuro da colaboração
Por enquanto, a colaboração entre as pequenas editoras é pontual e se concentra nas bienais e feiras. Kin Guerra informou que não há investimentos em espaços físicos de apoio ao longo do ano. No entanto, Laura di Pietro, da Tabla, acredita que a parceria pode se estender à logística de distribuição em um futuro próximo.

