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Panorama Coisa de Cinema começa em Salvador e Cachoeira com 130 filmes

Festival de cinema chega à 21ª edição com foco em ampliar acesso e debater o modelo de exibição no Brasil, reunindo curtas e longas-metragens
Por Redação
Panorama Coisa de Cinema começa em Salvador e Cachoeira com 130 filmes
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O Panorama Internacional Coisa de Cinema, festival de cinema baiano, inicia sua 21ª edição nesta quarta-feira (25) em Salvador e Cachoeira. O evento propõe ampliar o acesso a filmes fora do circuito comercial e discutir os desafios do modelo de exibição no Brasil.

O festival segue até 1º de abril na capital baiana, com abertura no Cine Glauber Rocha, e até o dia 29 em Cachoeira. A programação inclui mais de 130 títulos, entre curtas e longas-metragens, distribuídos em mostras competitivas, sessões especiais e atividades formativas.

Segundo Marília Hughes, curadora e coordenadora do festival, o aumento da produção audiovisual brasileira impacta diretamente a curadoria. Ela atribui o número recorde de inscritos a políticas públicas recentes de incentivo ao setor, como a Lei Paulo Gustavo e a Lei Aldir Blanc.

Crescimento da produção e desafios de circulação

O crescimento da produção audiovisual no país, especialmente de curtas-metragens, reflete o impacto de políticas de fomento. Contudo, o Panorama Coisa de Cinema enfrenta o desafio de selecionar filmes que representem essa diversidade dentro de um limite de exibição.

A curadoria prioriza a linguagem cinematográfica, buscando obras que explorem som, imagem e enquadramento de forma inventiva. Além disso, o festival busca refletir a diversidade de temas e universos retratados no cinema brasileiro.

A programação também inclui sessões especiais, retrospectivas e filmes restaurados, buscando conectar o cinema contemporâneo à sua história. Esta iniciativa visa promover o conhecimento sobre obras já realizadas e entender as referências do cinema brasileiro atual.

Abertura e debate sobre exibição

A abertura do Panorama Coisa de Cinema em Salvador apresenta o longa “A Vida de Cada Um”, de Murilo Salles, com a presença do diretor e da atriz Bianca Comparato para debate. Na mesma noite, o público assiste ao clássico restaurado “Máscara da Traição” (1969), de Roberto Pires, seguido de conversa com Petrus Pires, filho do cineasta.

Em Cachoeira, a abertura ocorre com o documentário “O samba que mora aqui”, de Vítor Rocha, também seguido de debate com o diretor. A presença de realizadores reforça o papel do Panorama como espaço crucial para a circulação de filmes que não chegam ao circuito comercial.

O diretor André Morais, que apresenta o longa “Malaika”, destaca a importância dos festivais para o percurso das obras. Ele ressalta que muitos filmes são produzidos, mas a circulação ainda é um desafio, dependendo de fatores como políticas públicas.

Além das sessões, o Panorama Coisa de Cinema realiza, pelo segundo ano, o Seminário de Exibição. Este evento discute a relação entre produção, distribuição e público no cinema brasileiro, abordando a ausência de políticas estruturadas para a exibição, um dos principais problemas do setor, segundo o cineasta Cláudio Marques, idealizador do festival.