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Pais podem ser responsabilizados por atos de filhos na internet, diz lei

Legislação brasileira prevê que pais e tutores respondam civilmente por danos causados por menores no ambiente digital, mesmo sem culpa direta
Por Redação
Pais podem ser responsabilizados por atos de filhos na internet, diz lei
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A responsabilidade dos pais por atos dos filhos na internet é um tema em debate e a legislação brasileira já prevê a responsabilização civil dos genitores. O Código Civil estabelece que pais e tutores podem ser acionados judicialmente por danos causados por menores no ambiente digital.

O aumento de casos de cyberbullying, golpes online e crimes de ódio tem intensificado a discussão sobre a supervisão parental. Especialistas alertam para a necessidade de diálogo e atenção constante ao uso da internet por adolescentes.

Segundo a advogada de Direito de Família Danielle Borges, adolescentes menores de 18 anos não respondem criminalmente como adultos, mas por atos infracionais. Contudo, na esfera cível, a responsabilidade dos pais é clara.

Responsabilidade Civil e Penal

O Código Civil Brasileiro, em seu Artigo 932, inciso I, determina que os pais respondem pelos filhos menores sob sua autoridade. O Artigo 933 reforça que essa responsabilidade pode existir mesmo sem culpa direta dos genitores. Isso significa que, se um filho causar dano moral ou material a terceiros pela internet, os pais podem ser chamados a indenizar a vítima.

Na esfera criminal, a Constituição Federal, no Artigo 5º, inciso XLV, prevê que nenhuma pena passará da pessoa do condenado. Assim, pais não respondem automaticamente por atos infracionais dos filhos. No entanto, o adolescente pode ser responsabilizado no sistema socioeducativo por condutas como ameaça virtual, invasão de dispositivo ou golpe digital.

A psicóloga Anna Paula Oliveira Silva, coordenadora do Núcleo de Apoio e Atendimento Psicopedagógico (NAAP) do Idomed Alagoinhas-BA, destaca que o ambiente familiar é crucial para o comportamento do adolescente. Famílias com comunicação aberta e limites claros tendem a favorecer maior responsabilidade no uso da internet.

Vigilância e Educação Digital

A professora Silma Luzia, mãe de Maria Clara, 16 anos, em Salvador, relata que mantém vigilância constante sobre as atividades da filha na internet. Ela compartilha senhas e acompanha as interações da adolescente, ressaltando que a internet não é "terra sem lei" e que a lei responsabiliza tanto quem pratica quanto os pais.

Maria Clara, por sua vez, enfatiza a importância de conversar com os pais sobre o que acontece online. Ela aconselha outros adolescentes a desabafarem com os responsáveis, que podem oferecer ajuda e orientação.

As escolas também desempenham um papel fundamental na conscientização. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) inclui a Cultura Digital como uma competência a ser trabalhada na Educação Básica. Instituições como o Colégio Vitória Régia, em Salvador, promovem projetos de combate ao bullying e cyberbullying, além de parcerias com órgãos de segurança para alertar sobre os perigos na internet.