As Nações Unidas (ONU) recomendaram a reparação a descendentes de africanos escravizados, incluindo indenização pelas riquezas das quais foram privados. A iniciativa, de caráter moral, sugere que países negreiros façam um pedido formal de desculpas, reconhecendo as violações históricas.
A recomendação da ONU destaca o contraste entre a prosperidade europeia e a fome africana, resultado de séculos de exploração. O tráfico transatlântico, que durou cerca de 400 anos, movimentou aproximadamente 13 milhões de pessoas, cujos corpos foram usados como "moeda" para financiar o mercantilismo e as primeiras indústrias.
Segundo a organização, a admissão do genocídio representa um avanço simbólico, abrindo caminho para a criação de um fundo internacional de reparação. No entanto, países como Estados Unidos, Israel e Argentina votaram contra a iniciativa, enquanto potências escravocratas como Portugal, Espanha, França, Reino Unido e Holanda demonstraram ambiguidade.
Impacto na Bahia e a dívida histórica
O ajuste de contas proposto pela ONU implica um ressarcimento pela pilhagem e pelo sofrimento de nações e etnias agredidas. Entre os grupos mais afetados estão os yoruba, banto, fon e jeje, que são ancestrais de grande parte da população baiana, refletindo a profunda conexão histórica do estado com a dívida dos negreiros.
A discussão sobre a dívida dos negreiros e a justiça reparadora busca não apenas compensar perdas materiais, mas também reconhecer a violência e o trauma gerados pela escravidão. A iniciativa da ONU pretende estimular um debate ético sobre como praticar essa justiça no cenário contemporâneo.

