Oito ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desistiram de disputar as eleições de outubro deste ano. A decisão ocorreu a pedido do próprio presidente, que buscou consolidar sua base e alinhar as estratégias políticas para o pleito municipal.
Do total, quatro ministros estavam licenciados de mandatos na Câmara dos Deputados e optaram por não tentar a reeleição. Os outros quatro não possuíam cargos eletivos, mas haviam planejado candidaturas para diversos postos.
Segundo o governo, a estratégia de manter os ministros nos cargos visa garantir a estabilidade da Esplanada e focar na gestão, evitando desfalques em um ano eleitoral. A articulação foi fundamental para organizar os palanques e sacramentar alianças em locais estratégicos pelo país.
Ministros que permaneceram nos cargos
Entre os ministros que abdicaram de seus mandatos e permanecerão nos postos, estão os deputados federais José Guimarães (PT-CE), que assumiu a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Alexandre Padilha (Saúde), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência da República) e Luiz Marinho (Trabalho).
Luiz Marinho, ex-prefeito de São Bernardo do Campo, optou por transferir seu capital político para outro nome na região do ABC paulista, seu reduto eleitoral histórico. Guilherme Boulos foi um dos primeiros a sinalizar sua permanência no governo.
Mudanças de planos e compensações
Outros quatro ministros também desistiram de suas candidaturas. Luciana Santos (PCdoB), ministra de Ciência, Inovação e Tecnologia, que foi vice-governadora de Pernambuco, chegou a ensaiar uma candidatura a deputada federal, mas decidiu permanecer na pasta, apesar do desejo de parte de seu partido.
André de Paula (PSD), ex-deputado federal e candidato derrotado ao Senado por Pernambuco em 2022, havia planejado concorrer a deputado federal. Como compensação pela desistência, o Planalto o transferiu do Ministério da Pesca e Aquicultura para o Ministério da Agricultura.
Waldez Goes (Integração) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), que eram pré-candidatos ao Senado pelos estados do Amapá e Minas Gerais, respectivamente, também retiraram suas candidaturas. A decisão atende ao desejo do presidente Lula de fortalecer a governabilidade e as alianças políticas.

