Polícia

OAB-BA suspende registro de advogada apontada como líder de facção criminosa

Poliane França Gomes, conhecida como "Rainha do Sul", está presa desde novembro e é investigada por atuar em funções estratégicas do grupo Bonde do Maluco
Por Redação
OAB-BA suspende registro de advogada apontada como líder de facção criminosa
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A Ordem dos Advogados do Brasil na Bahia (OAB-BA) suspendeu o registro profissional de Poliane França Gomes, advogada apontada pelas investigações como líder de uma facção criminosa com atuação no estado. Conhecida como "Rainha do Sul", ela está presa desde novembro do ano passado.

A prisão de Poliane França Gomes ocorreu durante uma operação policial que resultou na detenção de outras 13 pessoas. As investigações indicam que a advogada exercia funções estratégicas dentro do grupo criminoso, atuando como intermediária entre integrantes presos e lideranças externas.

Segundo a Polícia Civil, o inquérito foi concluído em janeiro deste ano e encaminhado ao Ministério Público da Bahia (MP-BA), que formalizou a denúncia à Justiça. O órgão recomendou a manutenção das prisões dos envolvidos.

Atuação e apreensões

As investigações apontam que Poliane mantinha um relacionamento com Leandro de Conceição Santos Fonseca, conhecido como "Shantaram", líder da facção Bonde do Maluco. Ele está custodiado no Presídio de Segurança Máxima de Serrinha, a cerca de 190 km de Salvador.

A advogada é investigada por participar da organização de territórios e da gestão de cobranças do grupo. Durante o cumprimento do mandado de prisão, policiais apreenderam na residência da suspeita R$ 190 mil em dinheiro e uma máquina de contar cédulas.

No imóvel, também foram encontrados itens simbólicos que, segundo a polícia, ligavam a advogada ao líder da facção. Entre eles, um colar com as iniciais "RS" e o apelido "Querido", atribuído a Shantaram, além de outra joia com a imagem de um leão e a frase: "muitos nasceram para viver na selva e eu para ser o rei com minha rainha".

Operação em cinco estados

A operação que levou à prisão da advogada líder facção teve desdobramentos em cinco estados: Bahia, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Ao todo, foram cumpridos 14 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão. Três dos alvos já estavam detidos anteriormente.

Na Bahia, os investigados ocupavam diferentes funções na organização criminosa, como controle financeiro do tráfico, comando de áreas em cidades como Feira de Santana, Lauro de Freitas, Camaçari e Salvador, além da logística de transporte, armazenamento e distribuição de drogas e armas.

As ações resultaram no bloqueio judicial de R$ 100 milhões em contas bancárias ligadas ao grupo, além da apreensão de sete veículos, uma moto aquática, um haras com cavalos de raça e uma usina de energia solar.

Em nota, a OAB-BA informou que o Tribunal de Ética e Disciplina (TED) não pode comentar casos sob sigilo até a conclusão definitiva dos processos.