Política

Nicolás Maduro é capturado por forças dos EUA e enfrenta acusações graves

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro é capturado pelos EUA por narcoterrorismo. Sua trajetória, de sindicalista a líder ungido por Chávez, foi marcada por crises.
Por Redação
Nicolás Maduro é capturado por forças dos EUA e enfrenta acusações graves
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A notícia da captura de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, pelas forças militares dos Estados Unidos nas primeiras horas deste sábado, 3, sacudiu o cenário político mundial. Este evento marca um ponto crucial na trajetória do líder venezuelano, que de um passado como sindicalista ascendeu à presidência, sendo ungido por Hugo Chávez, e enfrentou anos de crises políticas e acusações que agora culminam em sua prisão sob fortes acusações dos Estados Unidos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou que a operação foi conduzida por volta das 2h da madrugada pela Delta Force, considerada a 'tropa de elite' do exército americano. A ação ocorreu em um cenário de anos de escalada de tensão diplomática, onde os EUA já haviam sinalizado a possibilidade de uma invasão. Detalhes exatos de como a captura aconteceu ainda não foram divulgados publicamente.

De Sindicalista a Líder Escolhido

A história de Maduro começou bem antes de sua ascensão ao poder. Sua jornada política é marcada pela militância sindical, que o levou a conhecer Hugo Chávez enquanto este estava preso. Essa amizade se transformou em uma aliança duradoura, com Maduro se tornando um dos principais aliados de Chávez. Com a chegada de Chávez à presidência da Venezuela no final da década de 1990, Maduro também viu sua carreira política decolar. Ele presidiu a Assembleia Nacional da Venezuela entre 2005 e 2006 e, em seguida, assumiu o cargo de ministro das Relações Exteriores do país. Nesse período, ele fortaleceu laços internacionais, inclusive com o Brasil, através de Celso Amorim, que era ministro das Relações Exteriores nos primeiros governos de Luiz Inácio Lula da Silva.

A década de 2010 trouxe um ponto de virada crucial para a política venezuelana. Hugo Chávez foi diagnosticado com câncer e precisou de tratamento médico em Cuba, um país pelo qual tinha grande admiração e onde Fidel Castro era seu mentor político. Em 2012, ao se afastar do cargo, Chávez não hesitou em nomear Maduro, então seu vice-presidente, como seu sucessor. A indicação foi clara e enfática:

"Minha opinião firme, plena como a lua cheia, irrevogável, absoluta, total é que em caso de que, como manda a Constituição, devam ser convocadas novas eleições presidenciais, vocês escolham Nicolás Maduro como presidente da República Bolivariana da Venezuela. Peço isso do fundo do coração."

— Hugo Chávez

Chávez morreu em março de 2013, aos 58 anos, deixando Maduro no comando da Venezuela.

Presidência Marcada por Crises e Contestações

A ascensão de Maduro à presidência não foi simples. Logo após a morte de Chávez, ele enfrentou um processo eleitoral apertado em abril de 2013, sendo 'reeleito' com uma margem pequena de 50,61% dos votos. Ao ser empossado, Maduro prometeu buscar o diálogo com os setores divergentes da sociedade, um compromisso que, infelizmente, não se concretizou nos anos seguintes. Ele declarou na época:

"Quero um diálogo direto com o camponês, o trabalhador, a classe média. Que demos um abraço. Se têm diferenças, mantenham. Mas se aceitam meu convite, venham comigo. Nós garantimos a paz desse país. Só estou aqui pelas circunstâncias histórias."

— Nicolás Maduro

Os primeiros anos do mandato de Maduro foram marcados por grande instabilidade política. Em 2015, ele sofreu um revés significativo ao perder a maioria na Assembleia Nacional. A partir daí, o presidente adotou uma postura mais dura nas relações internas. Houve muitas acusações de perseguição por parte de seus oponentes e suas vitórias nas urnas passaram a ser constantemente questionadas. A eleição de 2018, por exemplo, foi uma das mais controversas da história venezuelana, com muitos países e opositores se recusando a reconhecer o resultado. No ano seguinte, em 2019, a Assembleia Nacional, sob desconfiança de fraude, deixou de reconhecer Maduro como presidente, apontando Juan Guaidó, uma figura importante da oposição, como líder 'autoproclamado' da nação. Mais recentemente, em 2024, Maduro foi novamente o centro de questionamentos. Apesar da alta rejeição interna, ele foi declarado vitorioso, mas sua reeleição não foi aceita por grande parte da comunidade internacional. Em um episódio notável, Maduro chegou a confrontar Luiz Inácio Lula da Silva, seu antigo aliado, ao levantar dúvidas sobre a segurança das urnas eletrônicas brasileiras.

Acusações Graves e Próximos Passos

Agora, após sua captura, o futuro de Nicolás Maduro é incerto. Donald Trump informou que ele será julgado por uma série de crimes graves. As acusações incluem:

  • Conspiração para narcoterrorismo;
  • Conspiração para importação de cocaína;
  • Posse de metralhadoras e dispositivos explosivos;
  • Conspiração para posse de metralhadoras.

A primeira-dama, Cilia Flores, também responderá por alguns desses crimes, adicionando mais um capítulo dramático à complexa história política da Venezuela.