A Polícia Civil investiga um esquema de desvio de cerca de R$ 37 milhões do patrimônio de Angélica Gonçalves Pedrosa, em Firminópolis (GO). O principal alvo da apuração é o neto da idosa, Fabiano Pedrosa Leão, que administrava os bens da avó há anos.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta segunda-feira (13) na casa de Fabiano e de sua mãe, Marli Gonçalves Pedrosa Leão, também suspeita de envolvimento. Durante a ação, duas armas de fogo irregulares foram encontradas na residência do neto, que foi preso em flagrante por posse ilegal de arma e liberado após pagar fiança.
Segundo os investigadores, Fabiano Pedrosa Leão realizou movimentações financeiras suspeitas. Um saque superior a R$ 1,4 milhão foi feito apenas dois dias após a morte de Angélica, ocorrida em maio de 2024.
Detalhes da investigação e contexto familiar
De acordo com documentos obtidos pela TV Anhanguera, Angélica era considerada "analfabeta digital" e tinha limitações de mobilidade. Por isso, gerentes bancários realizavam atendimentos e provas de vida em sua própria casa. O neto assumiu a administração dos negócios agrícolas da família neste contexto.
A investigação aponta que os recursos não eram repassados de forma equilibrada entre os herdeiros. A suspeita começou após uma das quatro filhas de Angélica levar o caso à Justiça, identificando possíveis irregularidades nas contas bancárias da idosa.
O advogado Alexandre Lourenço informou que a pensão de Angélica era de cerca de R$ 7 mil mensais, com pouca complementação do patrimônio. A família passou a questionar o destino dos valores restantes, especialmente diante do crescimento patrimonial atribuído ao neto.
As investigações também indicam que Fabiano não agiu sozinho. A polícia apura a possível participação de outros envolvidos, como funcionários de bancos, servidores de cartórios e produtores rurais da região, que podem ter colaborado no esquema de desvios do patrimônio da avó.

