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Neojiba na China: 108 jovens músicos da Bahia fazem turnê histórica

Orquestra Juvenil da Bahia se apresenta em quatro cidades chinesas, entre 29 de abril e 5 de maio, em maior turnê de grupo brasileiro no país
Por Redação
Neojiba na China: 108 jovens músicos da Bahia fazem turnê histórica
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Cento e oito jovens músicos do Neojiba, o programa Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia, realizaram uma turnê histórica na China entre 29 de abril e 5 de maio. O grupo levou o som da Bahia para salas de concerto em Pequim, Xi’an, Tianjin e Shenzhen.

A iniciativa marca a maior turnê de uma orquestra brasileira no país asiático. A viagem, que envolveu nervosismo, expectativa e alegria, transformou disciplina e talento em um passaporte para o mundo, segundo os participantes.

Ricardo Castro, fundador e diretor-geral do Neojiba, destacou a importância da turnê. "É um desafio inédito, de enorme responsabilidade e profundo significado artístico e simbólico", afirmou Castro.

O maestro ressaltou que a maioria dos jovens iniciou a formação em contextos sociais desafiadores. Eles agora se apresentam nos palcos mais prestigiados do mundo, em igualdade de condições com grandes orquestras profissionais.

A preparação técnica, a disciplina coletiva e a maturidade artística exigidas são comparáveis às dos principais conjuntos sinfônicos internacionais. A adaptação cultural e a resistência física durante a turnê intensa foram os principais desafios.

Impacto e Representatividade do Neojiba na China

Ana Júlia Couto, de 24 anos, contrabaixista da Orquestra Neojiba há cerca de seis anos, está em sua terceira turnê internacional. Ela contou que a preparação foi intensa, com novidades diárias, e que a expectativa estava alta.

"É a primeira vez que o Neojiba vai para a China, então é algo novo para a produção também, mas estamos confiantes de que vamos fazer um bom trabalho e alegres por representar o Brasil mais uma vez", disse a jovem, que é de Simões Filho e mora em Salvador.

Breno Albuquerque, de 22 anos, assistente de regência e graduando na UFBA, toca violino e viola. Ele ressaltou que a preparação física e mental para esta turnê, por ser inédita, foi ainda mais intensa.

"É cansativo, tanto mentalmente quanto fisicamente, mas realmente acredito que teremos resultados muito bons", afirmou Albuquerque. Ele está em sua quarta turnê internacional e sexta viagem com o Neojiba.

O impacto das turnês é profundo e duradouro, explicou Ricardo Castro. Apresentar-se em grandes salas com acústicas de alto nível eleva o nível de escuta, consciência sonora e responsabilidade artística dos músicos.

No plano pessoal, a turnê amplia horizontes, fortalece a autoestima e consolida valores como disciplina, cooperação e resiliência. "Muitos desses jovens compreendem, pela primeira vez de forma concreta, que pertencem ao cenário internacional", afirmou o maestro.

Fernanda Tourinho, diretora de Desenvolvimento Institucional do Programa Neojiba, destacou que a turnê é um marco diplomático e cultural. "Levar a sonoridade brasileira, com o tempero e a identidade da Bahia, para o outro lado do planeta consolida nosso trabalho na busca da excelência", afirmou.

A turnê do Neojiba na China, que ocorreu no Ano Brasil-China, contou com o apoio fundamental do Itamaraty para a chancela diplomática e o suporte logístico internacional.