Um navio mercante com oito tripulantes foi resgatado pela Marinha do Brasil no Amapá após ficar mais de 20 dias à deriva. A embarcação é investigada por suspeita de trabalho análogo à escravidão, conforme informou o Ministério Público do Trabalho (MPT).
A inspeção conjunta, realizada nesta quarta-feira (15), identificou condições degradantes de trabalho e habitabilidade, escassez prolongada de alimentos e restrições de água potável e energia elétrica. Os tripulantes, sete venezuelanos e um belga, apresentavam elevado nível de estresse físico e psicológico.
Segundo o MPT, um Inquérito Civil foi instaurado para apurar o caso. A Polícia Federal (PF) regularizou a situação migratória dos trabalhadores, e a Receita Federal foi acionada para emitir CPFs aos estrangeiros.
Contexto do trabalho escravo no Brasil
O caso do navio com bandeira da Tanzânia, que partiu da Colômbia com destino ao Uruguai, ressalta a persistência de situações de trabalho análogo à escravidão no Brasil. A Bahia, por exemplo, figura entre os estados com maior número de resgates, conforme dados recentes do Ministério do Trabalho e Emprego.
A embarcação ficou à deriva devido a uma avaria no sistema de propulsão. No momento, o navio está atracado em Santana, no Amapá, enquanto as investigações sobre o possível abandono material pelo armador ou responsável legal prosseguem.

