A minissérie 'Emergência Radioativa', sucesso na Netflix, conta com cinco episódios e retrata a catástrofe do Césio-137 que atingiu centenas de famílias em Goiânia, Goiás, em 1987. A produção, que estreou entre as mais assistidas da plataforma, revisita um dos maiores acidentes radiológicos do mundo fora de uma usina nuclear.
Criada por Gustavo Lipsztein, a trama acompanha Márcio, um jovem físico nuclear interpretado por Johnny Massaro. Ele está de passagem pela cidade quando é chamado para investigar o acidente radioativo. A narrativa explora a mobilização das autoridades para conter os danos da tragédia e o impacto direto na vida das pessoas afetadas pela radiação.
O elenco de 'Emergência Radioativa' também inclui Paulo Gorgulho como Dr. Benny Davi Orenstein, físico que chefia a força-tarefa, e Bukassa Kabengele no papel de Evenildo Quadrado, dono de ferro-velho que encontra a cápsula contaminada. Tuca Andrada interpreta o governador de Goiás, envolvido na condução da crise.
O acidente do Césio-137 em Goiânia
A minissérie 'Emergência Radioativa' é inspirada no acidente com o Césio-137, ocorrido em setembro de 1987. A tragédia começou após o abandono de um aparelho de radioterapia nas instalações desativadas do Instituto Goiano de Radioterapia (IGR). Trabalhadores encontraram o equipamento e o venderam como sucata.
A cápsula radioativa chegou a um ferro-velho, onde foi aberta, liberando o césio-137 e iniciando a contaminação. Segundo dados oficiais, quatro pessoas morreram em decorrência direta da exposição, 249 apresentaram contaminação e 129 necessitaram de acompanhamento médico contínuo. O físico Walter Mendes Ferreira foi um dos primeiros a identificar a natureza do acidente, sendo crucial para conter a propagação.
Os médicos Carlos de Figueiredo Bezerril, Criseide Castro Dourado e Orlando Alves Teixeira, o físico Flamarion Barbosa Goulart e o proprietário do imóvel Amaurillo Monteiro de Oliveira foram condenados por homicídio culposo. A pena de três anos e dois meses de prisão foi convertida em prestação de serviço. Décadas depois, muitas vítimas ainda convivem com sequelas e dificuldades relacionadas a indenizações.

