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Mel puro: testes caseiros são mitos, diz especialista da Bahia

Doutor em Ciências Agrárias explica que características únicas do mel baiano, como maior umidade, invalidam truques populares de identificação
Por Redação
Mel puro: testes caseiros são mitos, diz especialista da Bahia
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Testes caseiros populares para identificar mel puro, como os da água e do fósforo, são ineficazes e baseados em mitos. A afirmação é de Rogério Alves, doutor em Ciências Agrárias, que explicou as particularidades do mel produzido na Bahia.

Segundo o especialista, as propriedades únicas de cada tipo de mel influenciam as dúvidas sobre sua autenticidade. O mel baiano, por exemplo, geralmente possui maior teor de água, cerca de 20% a 28% de sua composição, o que o torna mais líquido e propenso à fermentação.

De acordo com Rogério Alves, essa característica desmente a crença de que o mel puro deve ser sempre grosso e denso. Ele exemplifica que um mel de Uruçu, comum na região, se misturará mais facilmente na água do que outros tipos, contrariando o teste popular que considera puro o mel que afunda sem se dissolver.

Mitos sobre a autenticidade do mel

A ideia de mel falso surgiu há muito tempo, quando vendedores adicionavam água ao produto para aumentar o volume. Essa prática criou a associação entre mel mais líquido e adulteração, uma percepção que não se aplica à diversidade natural dos méis brasileiros.

O teste do fósforo, que sugere que o mel puro permite acender um palito, também é refutado pelo pesquisador. A menor densidade do mel baiano, devido à sua umidade, impede que o palito acenda, invalidando essa técnica como indicativo de pureza.

A única forma confiável de identificar adulterações, como a mistura com amido, é por meio de testes químicos em laboratório, como o uso de lugol (iodo). No entanto, o lugol não é um método caseiro e deve ser aplicado por profissionais.

Como identificar mel puro

O professor Rogério Alves reforça que a única maneira de atestar a pureza do mel é por meio de análises laboratoriais. Em um ambiente controlado, é possível verificar características físico-químicas, como umidade, açúcares e acidez.

Análises microscópicas, conhecidas como melissopalinologia, também são essenciais para verificar o pólen presente e certificar a origem do produto. Técnicas modernas, como a espectrometria de massas (RMN), podem identificar fraudes em poucos minutos, garantindo a qualidade do mel puro.