Imagine uma fábrica tão grande que decide construir sua própria linha de trem para levar seus produtos! É exatamente isso que a Arauco, uma empresa chilena gigante no setor de celulose, está fazendo em Inocência, no Mato Grosso do Sul.
Com um investimento que beira os R$ 25 bilhões (equivalente a US$ 4,6 bilhões), esse empreendimento, conhecido como Projeto Sucuriú, não será apenas a maior fábrica de celulose do mundo, mas também terá uma ferrovia particular de 47 quilômetros de extensão, ligando a produção diretamente ao Porto de Santos, em São Paulo, de onde a celulose vai para o mundo.
Uma ferrovia para exportar celulose para o mundo
A ideia da Arauco é diminuir o uso de caminhões nas estradas de forma drástica, criando um novo e importante caminho logístico para o Centro-Oeste brasileiro. A ferrovia, que está começando a ser construída este mês, vai se conectar à Malha Norte, uma rota já operada pela Rumo Logística, e permitirá que até 98% da celulose produzida chegue de trem aos mercados da China, Europa e América do Norte.
Pense nos benefícios: a empresa estima que a nova linha férrea vai tirar cerca de 7 mil caminhões das rodovias todo mês. Isso significa uma redução enorme, de 94%, nas emissões de poluentes, se compararmos com o transporte rodoviário. É um passo gigante para uma logística mais limpa e eficiente no país.
O Projeto Sucuriú: gigante em números e impacto
O Projeto Sucuriú não é pouca coisa. Ocupando uma área de 3,5 mil hectares, a fábrica está prevista para começar a operar até o final de 2027, com as obras a todo vapor desde 2024. A Arauco já tem todas as licenças necessárias, tanto ambientais (do Imasul) quanto da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), para construir a ferrovia.
A linha do trem vai seguir paralela às rodovias MS-377 e MS-240, passando apenas por áreas rurais. Para garantir a segurança e o mínimo impacto, haverá passagens em desnível e até uma ponte de 270 metros de comprimento sobre o Córrego São Mateus. Além disso, a empresa fará um investimento de R$ 4,3 milhões, ao longo de dois anos, em ações de recuperação e conservação ambiental na região, como uma forma de compensar o impacto da obra.
Produção de peso e muitos empregos
Quando estiver funcionando, a megafábrica da Arauco terá capacidade para produzir nada menos que 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano. O volume diário a ser escoado chegará a 9,6 mil toneladas, percorrendo aproximadamente 1.050 quilômetros até o litoral paulista.
O projeto também é um gerador de empregos e oportunidades. Durante a fase de construção, ele está criando 14 mil vagas de trabalho. Depois que a fábrica estiver pronta e operando, serão 6 mil empregos permanentes – um número que, aliás, é maior do que a população atual de Inocência, que tem cerca de 8,7 mil habitantes. A Arauco também destaca que o complexo será autossuficiente em energia, gerando mais de 400 MW a partir de biomassa, e contará com 400 mil hectares de plantações de eucalipto para garantir toda a matéria-prima necessária. É um empreendimento que promete mudar a paisagem e a economia da região!

