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Matopiba: agronegócio impulsiona desenvolvimento e enfrenta desafios

Lideranças do setor destacam papel da tecnologia e da infraestrutura para o futuro da região que abrange Bahia, Tocantins, Piauí e Maranhão
Por Redação
Matopiba: agronegócio impulsiona desenvolvimento e enfrenta desafios
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A expansão do agronegócio no Matopiba, região que abrange áreas da Bahia, Tocantins, Piauí e Maranhão, é vista como essencial para o desenvolvimento dos quatro estados. Lideranças do setor apontam a atividade como fundamental para a transformação econômica e social local.

Maurício Buffon, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja Brasil), afirmou que a agricultura no Cerrado tem impactos diretos no desenvolvimento regional. Ele ressaltou a aptidão agrícola da região e a escassez de alternativas econômicas como fatores que tornam o setor ainda mais importante.

A vocação produtiva do Matopiba é sustentada por uma base tecnológica robusta. Segundo Celito Missio, vice-presidente da Associação dos Produtores de Sementes dos Estados do Matopiba (Aprosem), a região consolidou-se como um polo relevante na produção de sementes.

Tecnologia e inovação no Matopiba

A produção de sementes no Matopiba é suficiente para cultivar cerca de 6,5 milhões de hectares, o que representa entre 13% e 14% da área nacional de soja. Essa evolução tem raízes no desenvolvimento científico, com a Embrapa sendo fundamental para a adaptação da soja ao clima tropical do Cerrado.

A incorporação de biotecnologia também foi determinante, com a chegada da soja transgênica resistente a herbicidas e, posteriormente, a pragas. Missio explicou que as sementes contêm muita tecnologia embarcada na genética, o que contribui para a adaptação da cultura às condições locais.

Essas inovações impulsionaram a transformação das cidades impactadas pelo agronegócio. Buffon destacou que a chegada da agroindústria, como as descaroçadeiras de algodão, gera muitos empregos e mantém a atividade econômica contínua ao longo do ano.

Desafios e perspectivas para o futuro

Apesar dos avanços, os produtores enfrentam desafios estruturais. Buffon mencionou a necessidade de maior segurança jurídica e aprimoramento da logística. Ele enfatizou que o agronegócio movimenta grande volume de grãos e fibras, exigindo melhorias em estradas e ferrovias.

O presidente da Aprosoja Brasil citou a Ferrovia Norte-Sul como um avanço, mas defendeu a ampliação da malha ferroviária e o funcionamento da Ferrovia Oeste-Leste para diversificar as opções de portos. A hidrovia do Tocantins também é vista como estratégica para o desenvolvimento regional.

A limitação dos portos do Nordeste é outro entrave, pois a agricultura continua a crescer e a demanda por escoamento é constante. Buffon ressaltou o papel das entidades representativas, como a Aprosoja, na defesa dos interesses do setor e na interlocução com o poder público, especialmente em temas como o crédito rural e o endividamento dos produtores.