A fotógrafa Juliana Buosi, moradora de Salvador, reflete sobre os desafios da criação de sua filha Dora, de 1 ano, em um contexto de violência de gênero e mudanças sociais. A mãe feminista expressa preocupação com a segurança da menina diante de agressões masculinas.
Juliana, que vive em Boipeba, adota práticas sustentáveis, como o uso de fraldas ecológicas para a filha. No entanto, sua maior aflição não é o aquecimento global ou a inteligência artificial, mas sim a capacidade de Dora se defender da violência.
"Eu queria um mundo mais seguro para ela. Mas não vai ter. Eu vou ensinar a minha filha a socar, a gritar, a andar com spray de pimenta", afirma Juliana. Ela classifica a situação como "uma maluquice" e planeja preparar Dora para se proteger.
Violência de gênero no Brasil
A preocupação de Juliana reflete dados alarmantes sobre a violência contra mulheres no Brasil. Segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero, entre janeiro e junho de 2025, período em que Dora nasceu, 718 brasileiras foram vítimas de feminicídio. Isso representa uma média de quatro mortes por dia.
O levantamento também aponta 33.999 estupros contra mulheres no país no mesmo período, uma média de 187 casos diários. Esses números evidenciam a gravidade da violência que aflige as mulheres brasileiras.
Sobre questões contemporâneas como a crise climática e a inteligência artificial, Juliana acredita que "o mundo ideal de Dora está sendo construído todos os dias, devagarzinho". Ela destaca que, por morar em uma ilha, sua família já pratica o uso limitado de água e a reciclagem de lixo.
A fotógrafa enfatiza que não se preocupa com o futuro distante de Dora, mas sim com sua preparação no presente. Como artista, Juliana deseja oferecer à filha referências para que ela possa fazer escolhas saudáveis e conscientes em um mundo em constante transformação.

