A logística no Matopiba, fronteira agrícola que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, passou por uma transformação significativa nas últimas décadas. Novos corredores de transporte e o fortalecimento de modais como as ferrovias mudaram a forma como a produção agrícola é escoada, conforme especialistas ouvidos pelo Correio Baiano.
Historicamente, a maior parte da produção do Matopiba era transportada por caminhões até portos distantes, como Paranaguá, no Paraná. Esse trajeto longo elevava os custos de frete e reduzia a margem de lucro dos produtores, segundo o agrônomo Paulo Baqueiro.
De acordo com Sérgio Delmiro, subsecretário de Agricultura e Pecuária do Maranhão, a evolução da logística foi decisiva para a viabilidade do Matopiba, mesmo com gargalos iniciais. O Porto do Itaqui, em São Luís (MA), e a estrutura do Arco Norte contribuíram significativamente para essa mudança.
Novos corredores e o papel do Porto do Itaqui
Com o crescimento da produção, novos corredores logísticos surgiram, focados principalmente nas regiões Norte e Nordeste. O Porto do Itaqui, no Maranhão, ganhou protagonismo e hoje é um dos maiores exportadores de soja do país, conforme Marco Bomfim, coordenador da Embrapa em Cocais (MA).
A localização estratégica do Porto do Itaqui reduz o tempo de viagem para mercados da América do Norte e Europa, em comparação com os portos do Sul e Sudeste. Delmiro reforça que o porto é um ativo logístico estratégico para todo o Matopiba, permitindo uma redução de distâncias para mercados internacionais, especialmente Europa e Ásia.
Ferrovias e a aposta na Fiol
As ferrovias também se tornaram um pilar fundamental para a logística Matopiba. Cerca de 50% dos grãos que chegam aos portos do Arco Norte são transportados por via ferroviária, segundo Bomfim. A integração entre a Ferrovia Norte-Sul e a Ferrovia de Carajás aumentou a eficiência do sistema.
Na Bahia, o transporte rodoviário ainda predomina, com grande parte da produção do oeste escoada pelo Porto de Salvador. Contudo, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) é vista como uma das principais apostas para o futuro da logística Matopiba, podendo ligar a produção ao sul baiano e se conectar à Ferrovia Norte-Sul.
As obras da Fiol estão em fase de reestruturação, com negociações para a concessão da Fiol 1 e a conclusão do Porto Sul, em Ilhéus. A ampliação da malha ferroviária e a integração com outras ferrovias, como a Transnordestina, são consideradas essenciais para a competitividade da região, segundo Delmiro.

