Nicole Daedone, 58 anos, fundadora da empresa de bem-estar sexual “OneTaste”, foi condenada nesta segunda-feira (30) a nove anos de prisão por conspiração para trabalho forçado. A empresária ganhou notoriedade ao criar a companhia, que oferecia a prática da "meditação orgásmica".
O caso expôs acusações de exploração sexual e manipulação psicológica dentro da empresa. Além da pena de prisão, Daedone foi obrigada a abrir mão de US$ 12 milhões (cerca de R$ 62,8 milhões) em indenizações.
De acordo com promotores federais, sete vítimas receberam o valor de US$ 890 mil (aproximadamente R$ 4,6 milhões) pelos repasses. A condenação de Daedone e da ex-diretora de vendas da empresa, Rachel Cherwitz, ocorreu após um júri federal considerá-las culpadas.
O 'culto do orgasmo' e as acusações
A OneTaste, fundada em 2004, se apresentava como uma organização voltada ao bem-estar feminino e ao autoconhecimento, unindo sexualidade, espiritualidade e desenvolvimento pessoal. O principal produto era a "orgasmic meditation", que consistia na estimulação manual do clítoris em grupo por cerca de 15 minutos.
As investigações apontaram que a organização desenvolveu uma estrutura de forte controle psicológico sobre os participantes. Mulheres que procuravam a empresa eram pressionadas a trabalhar longas jornadas sem remuneração adequada e, em alguns casos, coagidas a manter relações sexuais com investidores e clientes.
"Este caso expôs um esquema que durou uma década, no qual as rés usaram coerção psicológica, emocional e financeira para controlar suas vítimas e extrair trabalho e serviços para seu próprio benefício", declarou o procurador em comunicado do United States Attorney's Office - Eastern District of New York.
A história da OneTaste e as acusações contra a empresa são contadas no documentário "Orgasmos à Venda: O Lado Sombrio da OneTaste", lançado em 2022 na Netflix.
Próximos passos
Nicole Daedone cumpre a pena de nove anos de prisão, e as indenizações às vítimas já foram determinadas. O caso do "culto do orgasmo" serve como alerta para a importância da fiscalização de organizações que prometem bem-estar, mas podem esconder práticas abusivas e de exploração.

