A implementação do sistema Kiss & Fly no Aeroporto Internacional de Salvador, nesta terça-feira (11), provoca resistência entre motoristas de aplicativo e taxistas. A categoria projeta um impacto direto na oferta de serviços no terminal, com muitos profissionais planejando evitar a região para não "pagar para trabalhar".
A principal crítica dos motoristas gira em torno do tempo limitado de 10 minutos para embarque gratuito e do custo considerado abusivo para a permanência além desse período. O sistema visa organizar o fluxo de veículos nas áreas de embarque e desembarque, controlando o acesso por meio de cancelas.
Segundo relatos de profissionais ouvidos pelo portal A TARDE, a medida deve resultar em uma diminuição drástica de veículos na região do aeroporto. "Não tem como. Vai acabar que os motoristas vão cada vez mais evitar trabalhar nessa região", afirmou um dos condutores.
Impacto na oferta de serviços e passageiros
Diante do cenário de insatisfação, os trabalhadores já projetam uma diminuição drástica dos veículos na região do aeroporto, o que deve afetar diretamente os passageiros. Outro motorista reforça a intenção de abandonar o terminal: "É melhor você sair e fazer suas corridas pela rua e ir emendando uma pela outra e não ficar nesse desespero de estar com o tempo limitado".
A proposta do Aeroporto de Salvador é organizar o fluxo de veículos na área de embarque e desembarque. Ao acessar o local, o motorista recebe um ticket e tem até 10 minutos para deixar ou buscar passageiros. Caso ultrapasse esse limite, será cobrada uma tarifa adicional, ainda não detalhada oficialmente.
Para permanências mais longas, a orientação é utilizar o estacionamento do terminal. Atualmente, o custo é de R$ 30 para até uma hora, com acréscimo de R$ 15 por cada hora ou fração adicional, valores que, segundo os trabalhadores, tornam inviável a operação para o Kiss & Fly.
Críticas e preocupações dos profissionais
Além do tempo considerado insuficiente, há preocupação com possíveis congestionamentos na saída, o que pode levar à cobrança mesmo sem responsabilidade direta do motorista. "Horário de pico será um caos na saída, igual no shopping, onde o carro da frente pode ter problema e não conseguir sair a tempo", relatou um motorista.
Entre os pontos mais criticados estão a sinalização deficiente, o risco de congestionamento em horários de pico e a logística de embarque. Motoristas relatam que passageiros, especialmente turistas e idosos, têm dificuldade em localizar os pontos de embarque de aplicativos, aumentando o tempo de permanência.
Os profissionais também veem a medida como uma forma de arrecadação, e não apenas de organização. "É um valor mais caro até do que os shoppings de Salvador, é extorsivo", afirmou um motorista, destacando que o aeroporto "quer cobrar pela área de embarque para aumentar o lucro deles".

