A segunda etapa do julgamento dos três acusados pela morte da cantora Sara Freitas, nesta terça-feira (24), em Dias D'Ávila, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), foi marcada por divergências entre a defesa de Ederlan Mariano e o juiz Bernardo Mario Dantas.
O desacordo ocorreu após os advogados de Ederlan solicitarem uma nova oitiva de Esmeralda Mariano, filha do ex-casal, que completou 14 anos na mesma terça-feira. O requerimento foi negado de imediato pelo magistrado.
Segundo o juiz Bernardo Mario Dantas, a adolescente já foi ouvida e não há razão para nova exposição. "Ela já foi ouvida. Não vejo razão para isso. Esmeralda já foi exposta uma vez em depoimento. Mantenho a decisão. Ela não é testemunha de viso", afirmou.
A defesa de Ederlan insistiu no pedido, alegando que Dolores Freitas e Soraya Freitas, mãe e irmã de Sara, apresentaram versões inéditas no julgamento. Os advogados argumentaram que o novo depoimento poderia esclarecer os jurados e preencher lacunas.
"Elas trouxeram fatos que nunca foram apresentados e relatados, e só quem pode confirmar é ela [a adolescente]", alegou o advogado Otto Lopes. Contudo, as justificativas não convenceram o juiz a mudar de ideia.
O Ministério Público (MP) também se posicionou contra a nova oitiva da garota. A promotora explicou que a questão já foi decidida em outras três ocasiões durante o processo e que a legislação impede a exposição da adolescente, citando a Lei nº 13.431/2017, conhecida como Lei da Escuta Protegida.
O juiz Bernardo Mario Dantas reforçou que o vídeo com o depoimento anterior de Esmeralda pode ser reproduzido no julgamento, dispensando a necessidade de expor a adolescente novamente. Ele também destacou que a garota tinha 11 anos na época do crime, o que pode afetar a memória, e que um novo depoimento exigiria um ambiente mediado por psicólogos.

