Jovens em Salvador têm redescoberto o prazer do consumo analógico, trocando plataformas de streaming por discos de vinil e câmeras fotográficas antigas. O fenômeno, que ganhou força após a pandemia, reflete uma busca por experiências mais humanas e uma fuga do imediatismo digital.
Locais como o Café e Câmera, no Centro Histórico, e a loja Discou Discou, no bairro do Garcia, tornaram-se pontos de encontro para essa nova geração. Eles oferecem acervos de vinis e câmeras analógicas, incentivando a interação e a valorização da cultura.
Segundo Adriano Viana, fotógrafo e idealizador do Café e Câmera, o espaço atrai um público jovem que se encanta com o som da vitrola e a história das câmeras. "É uma conversa que vai entrando pelo caminho da fotografia, dos discos. Tudo está interligado ali", afirma Viana.
O ritual do vinil e a valorização da cultura
A Discou Discou, administrada por Véu Pessoa e Juan Almeida, é um exemplo da ascensão do vinil em Salvador. A loja, que inclusive envia discos para outros países, observa um aumento de clientes com menos de 30 anos, atraídos pela curiosidade e pelo ritual de ouvir um disco.
Juan Almeida, músico e cofundador da Discou Discou, explica que o vinil oferece uma imersão diferente do streaming. "Ouvir um disco é um ritual. É uma relação de parar o que eu estou fazendo para ouvir um disco, tem uma intimidade e imersão diferentes", declara.
A curadoria da loja foca em MPB, rock clássico e artistas independentes brasileiros, buscando proporcionar uma experiência cultural completa. Véu Pessoa ressalta a importância da preservação dessas mídias para um país tão musical como o Brasil, perpetuando uma relação mais próxima com a arte.
Guilherme Almeida, 25 anos, músico e colecionador, é um dos jovens que aderiu ao movimento. Ele conta que ter discos de seus artistas favoritos em formato original mudou sua relação com a música. Desde o ano passado, Guilherme também investe na comercialização de vinis com sua loja virtual Retrofagia.
Além dos discos de vinil, espaços como o Sebo do Além, gerido por Heidy Lareski e Gabriel Gallardo, também atraem jovens em busca de livros raros e primeiras edições. O sebo, com cinco anos de existência, é visto pelos proprietários como um "quase museu" que estimula a mente e a cultura.

