O jornalista José Cerqueira, 77 anos, morreu nesta quinta-feira (28) em Salvador. Ele foi acometido por um câncer e era reconhecido como um dos pioneiros do jornalismo musical na Bahia.
O corpo de José Cerqueira foi cremado no Cemitério Jardim da Saudade, na capital baiana. O profissional teve uma carreira marcante na imprensa diária, com destaque para sua atuação nos anos 1970.
Segundo informações da família, Cerqueira trabalhou como redator e repórter na Tribuna da Bahia e, posteriormente, em A Tarde. Neste último veículo, ele foi repórter e titular da coluna "Música Popular", um espaço importante para a divulgação da cena musical baiana.
Legado no jornalismo musical baiano
José Cerqueira, natural de Jequié, era conhecido por sua versatilidade e paixão pela reportagem. Ele desenvolveu um estilo apurado, combinando a argúcia do crítico musical com a preocupação pelos detalhes em suas análises.
O jornalista se dedicava a escrever sobre as bandas de rock emergentes da época, mas era considerado um especialista em Música Popular Brasileira (MPB). Ele realizou uma das primeiras entrevistas com Gilberto Gil após o retorno do exílio em Londres e deu voz a artistas do Tropicalismo.
Cerqueira também foi fundamental no lançamento de bandas importantes, como os Novos Baianos. Sua relação com o jornalismo musical começou em 1972, quando assumiu a coluna de música do jornal independente Verbo Encantado, ao lado de Marco Antonio Queiroz, a convite do teatrólogo Armindo Bião.
Em 1974, José Cerqueira ajudou a fundar a revista Viver Bahia, da Bahiatursa, um dos veículos culturais mais relevantes daquele período. No ano seguinte, ele assumiu a coluna "Música Popular" no jornal A Tarde, consolidando sua trajetória no jornalismo musical.
Em 1988, José Cerqueira mudou o foco de sua carreira, dedicando-se à assessoria de imprensa da Copene, empresa-mãe do Polo Petroquímico de Camaçari. Ele permaneceu na função até 2008.

