A Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na Bahia contratou uma empresa nesta sexta-feira (8) para realizar os reparos emergenciais na Igreja e Convento de São Francisco, conhecida como "Igreja de Ouro", no Centro Histórico de Salvador.
O contrato, no valor de R$ 1.802.356,11 (mais de R$ 1,8 milhão), foi firmado por meio de dispensa de licitação. A empresa selecionada foi a Mehlen Construções Ltda., que tem como atividade principal a construção de edifícios, conforme seu código CNAE.
Segundo o Iphan, a assinatura do contrato para os reparos emergenciais da Igreja de Ouro ocorreu na última terça-feira (5). O extrato do documento detalha que o objeto da contratação é o serviço de escoramento e reparos estruturais na igreja e convento, localizados no Largo de São Francisco, no Pelourinho.
Situação atual e projetos futuros
Mais de um ano após o desabamento que matou uma turista em fevereiro de 2025, o templo permanece fechado ao público enquanto as obras emergenciais seguem. As equipes do Iphan supervisionaram a remoção e catalogação de fragmentos, diagnóstico do teto, escoramento de elementos instáveis e reforço de estruturas.
Também foram realizadas a higienização, tratamento e acondicionamento de elementos artísticos que se desprenderam, visando a reinserção futura. A cobertura passou por revisão completa, com a substituição de cerca de 90% das telhas cerâmicas e parte do madeiramento.
Em abril, o Iphan já havia contratado a empresa Alma Arquitetura e Restauro Ltda., por R$ 2,9 milhões, para elaborar os projetos de arquitetura e engenharia para a recuperação completa do imóvel. Este estudo, com vigência até junho de 2027, prevê consultoria técnica especializada e entregas em etapas, permitindo contratações sucessivas das obras.
O projeto de restauração da Igreja de Ouro inclui três fases: o restauro da Igreja de São Francisco, a restauração de bens móveis e o restauro do claustro.
Relembre o desabamento
O desabamento de parte do teto da Igreja de Ouro ocorreu na tarde de 5 de fevereiro de 2025, enquanto turistas visitavam o local. Na ocasião, Giulia Panchoni Righetto, de 26 anos, natural de Ribeirão Preto (SP), morreu, e outras cinco pessoas ficaram feridas.
A Igreja de São Francisco já enfrentava problemas estruturais. Dois dias antes do acidente, o frei Pedro Júnior Freitas da Silva, guardião-diretor da igreja, havia comunicado ao Iphan a existência de uma "dilatação" no forro do teto e solicitou uma vistoria técnica. A visita estava agendada para o dia seguinte ao desabamento.

