A guerra no Oriente Médio, que envolve diretamente o Irã e já dura três dias, acende um alerta no Brasil e, principalmente, na Bahia. Especialistas avisam que o aumento do preço do petróleo no mundo pode fazer o valor da gasolina subir nos postos baianos.
Entenda o que está acontecendo
Desde o último sábado (28), os Estados Unidos (EUA) e Israel iniciaram uma série de ataques contra o Irã. Com o lançamento de mísseis, ameaças a civis e ataques a líderes políticos, o cenário virou rapidamente uma crise humanitária e diplomática em nível global.
Essa escalada de conflitos já resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, de 86 anos, e outros líderes. Os EUA, sob o comando de Donald Trump, afirmam que o objetivo é “destruir o programa nuclear iraniano”, em uma operação que o Pentágono chamou de “Fúria Épica”. O Irã, por sua vez, já declarou que não tem intenção de negociar com os Estados Unidos.
Impactos imediatos na economia brasileira
A tensão fez os preços do petróleo e do gás dispararem. O dólar também sentiu o impacto, subindo 1,32% e chegando a R$ 5,2013 nesta segunda-feira (2). O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrou uma queda de 0,07%.
Em um curto prazo, o que se espera é que essa situação pressione o preço dos combustíveis. O economista Cleiton Silva explica a dinâmica:
“O que a gente sabe agora é que o preço do petróleo está para cima e é possível que nas próximas duas ou três semanas, ele continue no patamar alto em relação, por exemplo, a janeiro e fevereiro. Petróleo para cima, acompanhado de conflitos e tensões geopolíticas, gera um fortalecimento no dólar, que também encontra-se valorizado, gera um impacto inflacionário aqui no Brasil. Esse cenário deve pressionar o preço dos combustíveis.”
O aumento deve chegar aos seguintes produtos, derivados do petróleo ou que são afetados pela demanda:
- Diesel
- Gasolina
- Etanol (mesmo não sendo derivado do petróleo, a demanda pode aumentar como substituto da gasolina)
- Gás de cozinha (GLP)
Quando o preço do petróleo internacional sobe e o dólar se valoriza (o câmbio), essa combinação pressiona o valor final que chega ao consumidor nas bombas.
Bahia: uma vulnerabilidade maior
Para a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), os efeitos para a economia baiana podem ser mais sérios. Um dos motivos é a possível dificuldade no Estreito de Ormuz, um canal marítimo por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Além disso, o estado pode sentir:
- Aumento no preço do petróleo e combustíveis.
- Inflação em alimentos e fertilizantes.
- Instabilidade no Comércio Exterior.
A SEI detalha que, como a Bahia depende muito do transporte rodoviário, a alta dos combustíveis vai aumentar o preço das passagens, o custo do frete e o encarecimento na distribuição de alimentos. “A inflação deverá se refletir no aumento do gás de cozinha, alimentos básicos, e consequente um maior comprometimento do orçamento das famílias”, apontou a superintendência.
Mesmo que as relações comerciais da Bahia com o Oriente Médio não sejam muito expressivas (as exportações representaram apenas 2% e as importações 3% em 2025), o estado importa fertilizantes (35%) e plásticos (25%) dessa região. A alta dos fertilizantes pode trazer dificuldades para o setor agrícola baiano.
O outro lado da moeda para o Brasil
Apesar dos desafios, o Brasil, por ser um grande exportador de commodities como o petróleo, pode ter alguns benefícios. O economista Cleiton Silva explica que o dólar mais caro pode aumentar as receitas com exportações, especialmente na agricultura.
“Por esse lado, eu não vejo ameaças significativas para o setor agro. No cenário de câmbio mais desvalorizado, ou seja, dólar mais caro e petróleo mais caro, os exportadores vão conseguir vender a mesma quantidade de tonelada de soja, milho, algodão que o vale para fora, ganhando mais receita em reais porque o dólar está mais caro.”
A Petrobras, segundo nota enviada ao Portal A TARDE, informou que tem rotas alternativas e segurança nas suas operações, sem risco de interrupção nas importações e exportações. Seus fluxos são, em sua maioria, fora da região de conflito.
Cautela é a palavra-chave
O especialista alerta que o Brasil não tem como influenciar o cenário geopolítico. Por isso, o país precisa agir com cautela e focar no “dever de casa”, aproveitando a alta das commodities para aumentar sua arrecadação, como fez em 2003.

