A guerra no Oriente Médio pode causar um aumento de até 30% no preço das camisinhas no Brasil. A alta é motivada pelo encarecimento dos fretes e falhas na cadeia global de suprimentos, segundo a Karex, maior fabricante mundial de preservativos.
A empresa, que produz mais de 5 bilhões de preservativos por ano, incluindo a marca Prudence no Brasil, planeja repassar os custos aos consumidores. O aumento estimado pode ser ampliado conforme a duração do conflito na região.
De acordo com Goh Miah Kiat, CEO da Karex, em entrevista à Reuters, a empresa não tem escolha a não ser repassar os custos para os clientes. A Karex, da Malásia, exporta para mais de 130 países e abastece grandes marcas globais.
Impacto na produção e no consumidor baiano
As cadeias de suprimentos globais foram impactadas pela guerra desde o final de fevereiro, especialmente pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. Essa interrupção afetou o fornecimento de materiais essenciais para a produção de preservativos, como amônia e lubrificantes à base de silicone, derivados do petróleo.
Além dos custos de fabricação e embalagem, há atrasos no envio dos produtos. Goh Miah Kiat afirmou que muitos preservativos estão em embarcações que ainda não chegaram ao destino, apesar da alta demanda.
No Brasil, a marca Prudence é fabricada pela Karex. Atualmente, o preço médio de uma embalagem com 12 unidades varia entre R$ 5 e R$ 25 nas farmácias. Com o aumento de 30%, esse valor pode chegar a R$ 32,50, impactando diretamente o planejamento familiar e a saúde sexual da população baiana e brasileira.
A demanda por preservativos cresceu cerca de 30% neste ano, segundo o CEO da Karex. Ele ressaltou que, em tempos de incerteza, a necessidade de usar preservativos é ainda maior, pois as pessoas tendem a evitar ter filhos devido à instabilidade econômica e social.

