A insistência do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em anexar a Groenlândia tem gerado um forte repúdio por parte das autoridades locais e dinamarquesas, reacendendo temores geopolíticos globais. A movimentação acontece em um cenário já tenso, logo após a recente intervenção militar dos EUA na Venezuela, onde Trump reforçou o controle americano.
Nesta segunda-feira, 5, o Primeiro-Ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielssen, rejeitou com força as novas tentativas de Trump para tomar posse da ilha ártica. O interesse de Washington é visto como um esforço para garantir o controle de vastas reservas de petróleo e minerais essenciais, além de uma posição estratégica crucial.
Crise diplomática acende após postagem nas redes sociais
A tensão diplomática ganhou força no último sábado, quando uma publicação nas redes sociais gerou revolta. Katie Miller, ex-assessora governamental e hoje funcionária do bilionário Elon Musk, postou um mapa da Groenlândia coberto pela bandeira americana, acompanhado da legenda "SOON" (Em breve). A mensagem clara sobre a intenção de anexação não foi bem recebida.
A Primeira-Ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, não hesitou em classificar a postagem como desrespeitosa. Ela deixou claro que a soberania de seu país não está em discussão:
"Nosso país não está à venda e nosso futuro não é decidido por publicações em redes sociais."
Frederiksen fez questão de lembrar que a Dinamarca é um membro da OTAN, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, e conta com garantias de segurança da aliança, sinalizando as possíveis implicações de qualquer tentativa de anexação.
O valor estratégico do Ártico e o interesse global
O interesse dos Estados Unidos na Groenlândia vai muito além de uma simples expansão territorial. Com o derretimento das geleiras, novas rotas marítimas estão se abrindo, transformando a Groenlândia em um ponto vital tanto para a defesa quanto para o comércio mundial. A ilha já abriga a base de Pituffik (anteriormente conhecida como Thule), um componente essencial para o sistema antimísseis dos EUA.
Além disso, o subsolo da Groenlândia guarda uma riqueza mineral impressionante. A região possui 25 dos 34 minerais considerados fundamentais para a União Europeia, incluindo as cobiçadas terras raras. Esse potencial não passou despercebido pela China, que também monitora a região de perto. O governo chinês, por sua vez, instou os EUA a "pararem de usar a 'ameaça chinesa' como desculpa para buscar benefícios pessoais".
Solidariedade europeia e o futuro da Groenlândia
Diante da situação, líderes europeus se uniram em apoio a Copenhague. Pascal Confavreux, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França, foi enfático ao declarar que "as fronteiras não podem ser alteradas pela força". Alexander Stubb, presidente da Finlândia, ecoou esse sentimento em suas redes sociais:
“Ninguém decide por Groenlândia e Dinamarca, exceto Groenlândia e Dinamarca.”
A Groenlândia, um território autônomo dinamarquês, busca sua independência, mas ainda depende economicamente de Copenhague, que provê cerca de 20% de seu Produto Interno Bruto (PIB). A exploração mineral, apesar de promissora, enfrenta desafios consideráveis, como condições climáticas extremas e a falta de investidores de longo prazo para desenvolver a infraestrutura necessária. A discussão sobre seu futuro, portanto, envolve não apenas questões geopolíticas, mas também o delicado equilíbrio entre autonomia, dependência e as vastas riquezas que a ilha esconde.

