A secretária municipal da Fazenda de Salvador, Giovanna Victer, trouxe uma reflexão profunda em entrevista exclusiva ao Portal A TARDE. Segundo ela, a capital baiana é um verdadeiro espelho para os desafios que o Brasil enfrenta como um todo. Desde 2021 à frente da Sefaz (Secretaria Municipal da Fazenda), Victer detalhou a missão da pasta e fez um balanço de sua gestão, destacando o ano de 2025 como um período de planejamento e equilíbrio financeiro.
Um dos pontos cruciais levantados pela secretária é a constante busca por equilíbrio entre manter as contas da cidade em dia e, ao mesmo tempo, garantir a execução de políticas públicas essenciais. Isso envolve conciliar o desenvolvimento econômico com o social, um dilema que, segundo ela, vai além das fronteiras do município, espelhando o cenário nacional de desigualdades e potencialidades.
Sefaz atua em rede para incluir vulneráveis
Para enfrentar esses desafios, a Sefaz não trabalha sozinha. Giovanna Victer explicou que a secretaria atua em conjunto com outras pastas municipais e com o setor privado. O foco é atingir a população em situação de vulnerabilidade, oferecendo meios para que essas pessoas sejam resgatadas e inseridas de forma produtiva na economia da cidade.
“Temos trabalhado junto com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, outras secretarias, como a Sempre, que vem trabalhando na inclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade no mercado de trabalho, trabalhando com o setor privado para fomentar a geração de empregos e capacitação profissional”, afirmou a secretária.
Ela ressaltou que a política social mais importante é a geração de emprego e a autonomia para as famílias. “Estamos resgatando as pessoas em vulnerabilidade e as incluindo no sistema produtivo”, destacou Victer, mostrando o empenho em construir uma rede de apoio para tornar a economia de Salvador, na Bahia, cada vez mais ativa e inclusiva.
Balanço positivo e reconhecimento nacional
A secretária fez um balanço da sua gestão desde 2021, com ênfase nos resultados de 2025, ano que marca o novo mandato do prefeito Bruno Reis (União Brasil). Segundo ela, o último ano foi de muito equilíbrio financeiro, o que promete se traduzir em mais investimentos para áreas estratégicas da cidade.
Victer esclareceu o papel vital da Sefaz: arrecadar os tributos municipais e acompanhar as transferências constitucionais que vêm do Estado e da União. Esses recursos são gerenciados pela secretaria para custear o funcionamento de setores essenciais como saúde e educação, além de arcar com todas as despesas da capital baiana.
“A Secretaria da Fazenda é responsável pela arrecadação dos tributos municipais e acompanhar as transferências constitucionais, aquelas que vêm do Estado e da União. Nós angariamos todas as receitas tributárias e essas transferências, algumas também vinculadas à saúde, educação, e gerenciamos esses recursos para distribuição durante o ano, arcando com todas as despesas da cidade”, explicou a titular da pasta.
Os resultados foram positivos: os números primários, que antes eram negativos, voltaram a ser equilibrados e eficientes. Essa conquista colocou Salvador em destaque nacional, figurando entre as capitais brasileiras com alta sustentabilidade fiscal, atrás apenas de Porto Alegre, Vitória e Curitiba no ranking.
“O ano de 2025 foi de muito equilíbrio. Como primeiro ano da nova gestão, fizemos um ano completamente equilibrado, poupando recursos para os anos que vêm pela frente. Fechamos com uma poupança importante, arrecadamos mais do que gastamos”, pontuou a secretária, evidenciando o planejamento e a organização da casa fiscal.
IPTU: reajuste pela inflação e destino dos impostos
Questionada sobre as críticas da oposição a respeito do reajuste do IPTU, Giovanna Victer esclareceu que as mudanças seguem apenas a inflação, sem o que se chama de ‘aumento real’ nos valores cobrados. Ela enfatizou a importância de um debate sério sobre o tema, explicando que todos os impostos arrecadados são direcionados para a execução de políticas públicas e a manutenção de serviços essenciais, como escolas.
“Todos tributam. Municípios tributam, governos tributam, a União tributa. É o fator natural para que a gente possa prover as políticas sociais e as políticas públicas. O que acontece em Salvador é que todo ano, há 13 anos, o IPTU só é reajustado pela inflação”, afirmou Victer.
Ela reforçou a seriedade na análise dos tributos: “A cada R$ 100 de IPTU, R$ 25 são usados para pagamento de professor, escolas, manutenção das escolas, contas de luz das escolas. É preciso ter muita responsabilidade ao falar dos tributos”, frisou a secretária.
Liderança feminina e críticas naturais
Giovanna Victer encara as críticas ao seu trabalho como algo natural da posição que ocupa. Quando perguntada sobre ser uma mulher em um cargo de destaque, ela reconheceu as “suscetibilidades da cultura” e da “visão de mundo”, mas acredita que a sociedade está em constante mudança, tornando-se mais respeitosa.
“Tributar é difícil, ainda mais o IPTU, que chega nas casas das pessoas em janeiro, junto com boletos [...] Quando uma mulher está nessa posição, naturalmente, nós temos algumas suscetibilidades da cultura, da visão de mundo, mas eu entendo que a sociedade está mudando, sendo respeitosa, e que quando estamos em algumas posições, nós ficamos submetidos a uma avaliação popular, que vem da democracia”, finalizou a secretária.

