Política

Galípolo: Eleições Trazem Incerteza à Economia Brasileira

Galípolo, presidente do BC, diz que ano eleitoral traz incerteza à economia. Ele também defendeu a meta de inflação e debateu a necessidade de juros altos no Brasil.
Por Redação
Galípolo: Eleições Trazem Incerteza à Economia Brasileira

Presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo -

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O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, destacou nesta quarta-feira, 11, que o período eleitoral deste ano adiciona uma camada de "incerteza" ao cenário econômico do Brasil. A declaração foi feita em São Paulo, durante a CEO Conference Brasil 2026, evento organizado pelo BTG Pactual, onde líderes e especialistas discutem os rumos do país.

Para Galípolo, essa incerteza se soma a outros fatores globais, como a situação geopolítica internacional, que já afetam a economia. “Estamos em um ambiente com diversas fontes de incerteza. Há a incerteza do cenário geopolítico internacional e também a que é inerente a um ano de eleição. É óbvio que, a depender dos desdobramentos, isso vai influenciar as percepções de mercado”, explicou ele, sublinhando como as escolhas políticas podem mudar a forma como o mercado financeiro enxerga o futuro.

Banco Central Manterá a Posição

Apesar de reconhecer o peso das eleições no ânimo do mercado, o presidente do BC fez questão de tranquilizar sobre a atuação da autoridade monetária. Galípolo garantiu que o Banco Central manterá sua postura técnica e não vai mudar suas decisões econômicas por causa dos acontecimentos eleitorais. Em outras palavras, a instituição seguirá seu trabalho de controle da inflação e estabilidade financeira, sem se deixar levar pela política.

As eleições deste ano estão marcadas para 4 de outubro, com um possível segundo turno em 25 de outubro. Nelas, os brasileiros vão às urnas para escolher deputados estaduais, federais e distritais, senadores, governadores e, claro, o presidente da República. Esse calendário denso naturalmente gera expectativas e, como o presidente do BC aponta, alguma dose de cautela no ambiente econômico.

Inflação e a Busca por Juros Mais Baixos

Durante sua participação no evento, Galípolo também abordou a meta de inflação do Brasil. Ele defendeu que a meta de 3% ao ano está em linha com o que outros países com economias semelhantes praticam. No entanto, o presidente do BC fez uma ponderação importante, abrindo um debate crucial para o futuro econômico do país.

“O que realmente precisa ser melhor debatido com a sociedade é por que o Brasil precisa sustentar taxas de juros, comparativamente aos seus pares, mais elevadas para, com muito esforço, conseguir convergir para a meta. Esse é o tema”, afirmou Galípolo.

Essa fala levanta a questão de por que o Brasil, mesmo com uma meta de inflação similar a outros países, precisa de juros tão altos para alcançá-la. A discussão é fundamental para entender os custos de crédito, o investimento e o crescimento econômico no país, impactando diretamente o dia a dia de empresas e famílias.