A proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 no trabalho, reduzindo a jornada de 44 para 36 horas semanais, enfrenta resistência do empresariado. Eduardo Peres, CEO da Multiplan, uma das maiores administradoras de shopping centers do país, afirmou que a medida pode gerar custos elevados e impactar negativamente os salários dos trabalhadores.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o executivo declarou que a redução da jornada é "muito ruim para o varejo nacional e para o país". Ele argumenta que a mudança não trará ganhos automáticos de produtividade, mas sim um cenário onde "mais gente fará menos coisas", pressionando a média salarial para baixo.
Segundo Peres, o setor de varejo físico, especialmente em shoppings, depende do "toque humano" e da escala de trabalho atual para manter a viabilidade econômica. Ele descarta que a PEC impulsione a automação no segmento, ao contrário do que pode ocorrer em setores industriais.
Impacto no varejo e cenário econômico
A discussão sobre o fim da escala 6x1 ocorre em um momento de robustez financeira para a Multiplan. O grupo inaugurou recentemente a sexta expansão do Morumbi Shopping, em São Paulo, um projeto de R$ 400 milhões. A empresa encerrou 2025 com o maior faturamento de sua história, atingindo R$ 25,9 bilhões em vendas totais de seus lojistas.
Para 2026, Peres aposta no ciclo eleitoral e no alívio monetário para sustentar o consumo. "Historicamente, ano de eleição é um ano em que se gasta mais. Aliado a isso, prevemos uma queda na taxa de juros", afirmou o CEO. Atualmente, a taxa Selic está em 14,75% ao ano.
O debate sobre a jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 tem potencial para impactar diretamente o setor de serviços na Bahia e em todo o Nordeste, onde o varejo é um dos principais empregadores. A aprovação da PEC pode exigir adaptações significativas para empresas e trabalhadores na região.

