A cada 2 de fevereiro, a Festa de Iemanjá em Salvador, na Bahia, se enche de axé, cores e devoção. Mas, nos últimos anos, a celebração no bairro do Rio Vermelho tem ganhado um novo e importante significado: a fé consciente. Devotos da Rainha das Águas têm mostrado que é possível manter a tradição e o respeito à orixá, ao mesmo tempo em que cuidam da casa dela, o mar.
A preocupação com a preservação ambiental se tornou um pilar para muitos, que optam por oferendas mais simples e biodegradáveis. Essa atitude mostra uma evolução na maneira de expressar a devoção, onde o carinho e a reverência se traduzem em ações que protegem a natureza.
Oferendas que cuidam do mar
Para quem participa da festa, o mar não é apenas um lugar, mas sim o templo de Iemanjá. É lá que a orixá mora e de onde irradia sua proteção, prosperidade e tranquilidade. Por isso, a escolha das oferendas reflete um profundo respeito por esse ambiente sagrado.
“As flores são a melhor opção. A gente não joga o vidro na água, apenas o líquido. É pensando na preservação do meio ambiente, porque o mar é a casa da gente. Não é porque é festa que pode fazer de qualquer forma. Iemanjá não gostaria disso”, explica Alane, uma devota que mantém a tradição da mãe desde a infância e tem Iemanjá tatuada no corpo.
Essa visão é compartilhada por outros frequentadores. Simone, que nunca perde a celebração, leva para saudar Iemanjá apenas flores e o líquido da alfazema. Ela se preocupa em descartar corretamente o recipiente no lixo após usar o conteúdo. “Uso só o líquido da alfazema e depois descarto o recipiente no lixo. A gente precisa proteger o meio ambiente”, contou.
Tassi, outra assídua da festa, também adota práticas sustentáveis. Ela vai ao Rio Vermelho todos os anos para agradecer a Iemanjá pela proteção e pedir paz. Assim como Simone e Alane, Tassi se preocupa em não poluir o mar.
“Eu derramo a alfazema, não jogo o vidro no mar e retiro os plásticos das flores. Jogo apenas as flores e o líquido da alfazema. Não trago outros materiais, porque acho que isso acaba poluindo muito o ambiente”, detalhou Tassi.
Tradição e devoção renovadas
A Festa de Iemanjá é um momento de profunda conexão espiritual. Para Carmen, a orixá representa proteção, prosperidade, amor e tranquilidade na vida de todos. “Ela nos proporciona muitas coisas boas. É a nossa proteção”, afirma.
Essa conexão se fortalece quando a fé se alinha com a consciência ambiental. Ao optar por oferendas que não prejudicam o ecossistema marinho, os devotos demonstram um amor ainda maior por Iemanjá, honrando não só sua divindade, mas também o santuário que a representa. A tradição, assim, se renova e se adapta aos desafios do tempo, mostrando que fé e sustentabilidade podem caminhar juntas, lado a lado, em perfeita harmonia.

