Salvador recebe, a partir desta quarta-feira (16), a exposição gratuita e inédita no Brasil "Meia-noite na Encruzilhada". A mostra está aberta ao público no espaço Pé de Cobra, localizado no coração do Pelourinho, no Centro Histórico da capital baiana.
A visitação acontece de segunda a sexta-feira, das 13h às 17h, com apoio institucional do Instituto Cervantes Salvador. O projeto, que já passou por cidades como Barcelona, México e Bogotá, marca sua chegada à capital baiana como um novo capítulo em sua trajetória.
Segundo Bruno Morais, um dos idealizadores, "após passar por diferentes países, chegar a Salvador, com tudo o que esta cidade representa, torna-se particularmente significativo". A exposição gratuita em Salvador apresenta fotografias produzidas ao longo de três anos.
Imagens que atravessam territórios e espiritualidade
A mostra percorre territórios como Benim, Cuba, Brasil e Haiti, reunindo registros de rituais dedicados a Exu. Exu é uma entidade central nas religiões de matriz africana, associada ao movimento, à comunicação e às encruzilhadas.
As imagens são assinadas pela fotógrafa espanhola Cristina De Middel, reconhecida na fotografia contemporânea, e por Bruno Morais, conhecido por seu olhar documental e poético. De acordo com Cristina De Middel, a exposição "se inscreve no intervalo entre o visível e o oculto, propondo ao público uma experiência que atravessa narrativa, espiritualidade e imaginação".
Novo espaço cultural no Pelourinho
A exposição "Meia-noite na Encruzilhada" também marca a abertura do espaço Pé de Cobra. O local passa a integrar o circuito cultural da cidade com a proposta de estimular a experimentação e a reflexão sobre imagem.
Instalado em um imóvel histórico, o prédio funcionou entre as décadas de 1960 e 1990 como estrutura de fiscalização do comércio ambulante, conhecido como “Rapa”. Após cinco anos de obras, o local foi transformado em um centro voltado à produção visual, com sala expositiva, biblioteca e laboratório fotográfico, enriquecendo a oferta de exposição gratuita Salvador.
A mostra integra o conceito "A Esquina", eixo curatorial que orienta as atividades do espaço ao longo de 2026. Este conceito reúne exposições, encontros e ações culturais. Julieta Lopresto, que está à frente da iniciativa ao lado de Cristina De Middel e Bruno Morais, afirma que o objetivo é criar "um lugar onde a arte não seja colocada em um pedestal, mas que as pessoas se sintam à vontade para entrar e participar".

