A artista visual Regina Miranda abriu sua primeira exposição individual na Bahia, em Salvador, nesta quinta-feira (9). Intitulada 'Estudos para não desaparecer', a mostra revisita memórias negras e a herança cultural afro diaspórica da artista.
A exposição apresenta mais de 40 pinturas em guache sobre tela ou papel. As obras estão em cartaz n'A Galeria, no Ativa Atelier Livre, localizado no bairro do Rio Vermelho, e podem ser visitadas até 19 de junho.
Segundo Regina Miranda, a cor preta é um elemento central em seu trabalho, utilizado como guia e gerador estruturante das imagens. A artista busca dar "sobrevida" a fotografias de álbuns de famílias negras, que muitas vezes são esquecidas e se perdem sem registro.
A ancestralidade e o arquivo negro
A curadoria da exposição é assinada pelos artistas visuais Lanussi Pasquali e João Gravador. Eles destacam que as obras de Regina Miranda ativam um "arquivo negro" marcado por lacunas e apagamentos históricos.
O objetivo não é restaurar esse arquivo, mas criar novas conexões que garantam sua continuidade. A artista, que vive em Jauá, no Litoral Norte da Bahia, desde 2018, ressalta a importância de reivindicar o preto como um elemento fundamental, afirmando que "sem preto, não há imagem, não há história a ser contada".
Os curadores reforçam que as pinturas de Regina Miranda exploram o impasse entre o documento e a imaginação. As imagens são ativadas pelas ausências, que se tornam forças produtivas, e pela manutenção daquilo que não pode ser plenamente recuperado.
A exposição 'Estudos para não desaparecer' pode ser visitada de quarta a sexta-feira, das 15h às 19h, e aos sábados, das 9h às 12h, n'A Galeria, na rua Tupinambás, 423, Rio Vermelho.

