Em Salvador, a tradição do acarajé é mantida por baianas que, há décadas, dedicam suas vidas ao ofício. Mulheres como Regina Conceição, Sueli Conceição e Solange Silva, herdeiras de um legado familiar, enfrentam desafios para preservar a identidade cultural do quitute.
Regina Conceição, neta de uma baiana de Pituaçu, iniciou sua jornada aos 19 anos e hoje é uma das mais renomadas quituteiras da cidade. Seu negócio, que começou em Patamares e se expandiu para a Graça e Rio Vermelho, emprega cerca de 30 pessoas, segundo a própria Regina.
Sueli Conceição, por sua vez, retornou a Salvador em 1987 para dar continuidade ao legado de sua mãe, Perolina Conceição, após o falecimento dela. Sueli, que divide o tabuleiro no Terreiro de Jesus com a filha Suelen, destaca a felicidade em seu trabalho e o carinho da clientela.
Acarajé: tradição e identidade cultural
A história do Acarajé de Solange, no Garcia, remonta a 1949, quando sua avó, Josefina Ribeiro Costa, montou o primeiro tabuleiro. Solange Silva, que começou a fazer acarajé aos 14 anos, ressalta a satisfação de ouvir elogios ao seu quitute, que atrai clientes famosos como o cantor Gerônimo e a cantora Marienne de Castro.
Apesar do reconhecimento, a preservação da tradição do acarajé em Salvador enfrenta questões como a apropriação cultural. A baiana Patrícia Oliveira, que também herdou o ofício da família, critica a presença de pessoas brancas evangélicas à frente de tabuleiros, o que, para ela, descaracteriza o trabalho tradicional.
As baianas, muitas vezes, precisam se adaptar. Sueli Conceição, por exemplo, trocou as tradicionais roupas de baiana por batas coloridas há 15 anos, por recomendação médica. Já Regina Conceição, devido a cuidados com a saúde, atua mais na cozinha, orientando a produção.

