A religião assume um papel central na eleição presidencial de 2026, com os pré-candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) intensificando a busca pelo apoio do eleitorado evangélico. A movimentação reflete uma estratégia baseada em transformações demográficas e sociais recentes no Brasil.
Dados do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o número de pessoas que se autodeclaram evangélicas cresceu de 21,6% em 2010 para 26,9% em 2022. Este aumento representa aproximadamente 47,4 milhões de pessoas, consolidando o grupo como uma força eleitoral significativa.
Segundo o cientista político Cláudio André de Souza, em entrevista ao portal A TARDE, a busca por apoio dos evangélicos é decisiva em um cenário de polarização e disputa apertada, repetindo a tendência da eleição de 2022. Naquele pleito, pesquisas indicavam que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) obteve 45% dos votos evangélicos, enquanto Lula alcançou 26%.
Estratégias de aproximação e perfil do eleitorado
Lula e Flávio Bolsonaro têm ajustado suas agendas para se aproximar do público evangélico. Recentemente, o presidente Lula foi visto em oração durante uma visita à Basílica da Sagrada Família, na Espanha. Já Flávio Bolsonaro iniciou um tour por igrejas evangélicas, com encontros reservados com lideranças religiosas, como a Assembleia de Deus.
O professor Cláudio André de Souza destaca que o perfil conservador do eleitorado evangélico representa um desafio para a campanha de Lula. Segundo o especialista, esse segmento tende a se alinhar mais com pautas da direita, o que favorece candidatos com ideologias semelhantes. A mobilização e capilaridade eleitoral dos evangélicos podem influenciar diretamente o resultado das urnas, especialmente em uma eleição polarizada.
A Bahia, com sua diversidade religiosa, também observa o impacto dessa disputa. O estado, que possui uma parcela significativa de evangélicos, pode ter um papel relevante na definição do voto religioso em nível nacional. A agenda dos pré-candidatos deve incluir visitas e acenos a lideranças e comunidades evangélicas em diversas regiões do país, incluindo o Nordeste.
Até o fim da campanha, os políticos devem intensificar os esforços para conquistar o apoio dos evangélicos, considerados um vetor de crescimento e influência nas eleições.

