As negociações diretas entre Estados Unidos e Irã entraram na “fase técnica” neste sábado (11), em Islamabad, Paquistão. Os encontros buscam alcançar uma trégua duradoura em um conflito que, segundo Israel, já "destruiu" os programas nuclear e balístico iranianos.
Os diálogos, que devem se estender pela noite, ocorrem em um formato trilateral com a presença de membros do alto escalão do Paquistão. O país facilitou um cessar-fogo de duas semanas, iniciado na quarta-feira (8), conforme informações da Casa Branca.
De acordo com a agência Lusa, as questões ligadas ao Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo global, são o maior ponto de divergência entre as duas nações. A agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, confirmou a persistência dessas divergências.
Contexto e desdobramentos das negociações EUA Irã
Na terça-feira (8), EUA e Irã concordaram com um cessar-fogo de duas semanas. O acordo ocorreu antes do prazo estabelecido pelo ex-presidente Donald Trump para "destruir" o país, com Teerã disposto a reabrir temporariamente o Estreito de Ormuz e negociar.
Essas conversas representam um nível sem precedentes de diálogo entre os dois países, considerados inimigos desde a revolução islâmica de 1979. A televisão estatal iraniana informou que duas rodadas já foram realizadas, e uma terceira está prevista para a noite deste sábado ou domingo (12).
A delegação dos Estados Unidos é chefiada pelo vice-presidente JD Vance, acompanhado pelo enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner. O Irã é representado pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.
Uma fonte paquistanesa, que preferiu não se identificar, afirmou à AFP que as negociações avançam na direção certa e que o ambiente geral é cordial. A Casa Branca limitou-se a dizer que os diálogos estão "em andamento".
Conflito e apelo pela paz
O conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã teve início em 28 de fevereiro, causando milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano. Desde a entrada em vigor do cessar-fogo, Israel alega que o Líbano não está incluído na trégua.
Neste sábado, ataques israelenses no sul do Líbano mataram 18 pessoas, segundo o Ministério da Saúde local. O exército israelense anunciou ter atacado mais de 200 alvos do Hezbollah nas últimas 24 horas. Na quarta-feira, os ataques mais mortíferos da guerra no Líbano resultaram em ao menos 357 mortos.
As autoridades libanesas registraram 2.020 mortos e 6.436 feridos desde 2 de março. Conversações entre Líbano e Israel estão previstas para terça-feira (14) em Washington, mas o Hezbollah não aprova a iniciativa.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que busca um acordo de paz duradouro com o Líbano, condicionado ao desarmamento do Hezbollah. Enquanto isso, o Papa Francisco fez um apelo pela paz na Basílica de São Pedro, em Roma, pedindo o fim da guerra e da ostentação de força.

