A corrida eleitoral para o governo da Bahia, que culmina em outubro, já tem seus contornos bem definidos. Os dois principais blocos políticos — o governista, liderado por Jerônimo Rodrigues (PT), e a oposição, encabeçada por ACM Neto (União Brasil) — preparam suas estratégias focando em temas que tocam diretamente a vida do povo baiano. Segurança pública, saúde, educação e o cenário político geral prometem dominar as discussões e esquentar a disputa.
A aposta do governo: Legado e realizações
No lado do governo, a estratégia principal é destacar o trabalho e as conquistas das gestões petistas na Bahia, que já duram anos. Aliados do atual governador Jerônimo Rodrigues veem a força do trio Jerônimo, Rui Costa e Jaques Wagner como um motor para a campanha. A ideia é apresentar um vasto "pacotão" de entregas, que inclui intervenções urbanas em cidades como Salvador, na Bahia, e outros municípios, além de novos hospitais e escolas espalhados pelo interior do estado.
O cientista político João Vilas Boas, em entrevista ao Portal A TARDE, avalia que essa será a principal tática. Segundo ele, o objetivo é mostrar que as gestões não estão desgastadas, mas sim entregando resultados. A possível chapa "puro-sangue" para o Senado, com Rui Costa e Jaques Wagner, é vista como um impulsionador para as candidaturas do PT e de seus aliados na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) e na Câmara dos Deputados.
"Wagner é um dos políticos mais inteligentes e estrategistas dentro da conjuntura política baiana. Ele sabe que essa questão da chapa 'puro-sangue', para além de não pegar bem, na população tem tido uma dificuldade de absorção. Ele vai tentar colocar uma nova nomenclatura. Jerônimo vai entregar uma nova rodoviária, você tem muitas obras de Rui Costa. Eu acho que eles vão tentar fazer um pacotão do que foi feito e entregue, para tentar mostrar que não desgastou. O cabo eleitoral vai ser o ministro Rui Costa, essa vai ser a grande narrativa do PT", explicou João Vilas Boas.
A parceria com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também será lembrada, mas, diferentemente de pleitos anteriores, Lula não é visto como o protagonista central da disputa, que deve se polarizar mais a nível regional.
Oposição foca nos problemas do dia a dia
Já a oposição, sob a liderança do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), pretende direcionar o debate para temas que são considerados mais delicados para a população. A segurança pública surge como a principal bandeira do bloco, um assunto que tem gerado bastante preocupação entre os baianos. Além disso, temas como a saúde e o custo de vida, com a alta dos alimentos, serão amplamente explorados.
Um aliado de ACM Neto comentou a estratégia:
"Acredito que um dos carros-chefe da eleição será o custo de vida da população, na verdade o aumento considerável do valor dos alimentos [...] Isso tá tão na atualidade, que o atual prefeito de Nova York tem um dos pilares da sua eleição a criação de mercearias municipais no que ele chama desertos alimentares", destacou o aliado.
Os empréstimos recentes solicitados pelo governo estadual e aprovados pela Alba também entram na mira da oposição. João Vilas Boas ressalta que a forma como esses temas serão apresentados ao eleitor será crucial para o sucesso da campanha. "Segurança pública é um prato cheio para a oposição, isso tem sido amplamente debatido. [...] Tem outro tema que vai ser muito explorado que é a questão do volume de empréstimos. O governo chegou a mais de 20 empréstimos, isso é um valor muito alto. O grande desafio que a oposição vai ter é como contar isso para a população", disse o cientista político.
Politicamente, a oposição também busca corrigir o rumo. A reaproximação de ACM Neto com o ex-ministro João Roma (PL), após um rompimento em 2022, é vista como um passo essencial para fortalecer a candidatura. Outro ponto de atenção é a escolha da vice, que em 2022 foi tardia e pouco conectada com o eleitorado, algo que a oposição quer evitar desta vez, buscando um nome com mais identificação e de forma antecipada.
O eleitor baiano em 2026: Outro cenário
As próximas eleições terão um cenário diferente para o atual governador Jerônimo Rodrigues. Se em 2022 ele era um rosto pouco conhecido, impulsionado pela força do partido e do então candidato Lula, agora ele será julgado pelos quatro anos de sua gestão. Os eleitores avaliarão os resultados entregues e a capacidade administrativa do governo, tornando a eleição mais focada nas questões regionais e no desempenho direto.
Metas ambiciosas para os blocos
Fora das estratégias de campanha, os dois grupos também traçam objetivos eleitorais ousados. A oposição mira eleger pelo menos um senador para as duas cadeiras em disputa. Já o governo, além de buscar as vitórias de Jerônimo, Jaques Wagner e Rui Costa, trabalha intensamente para aumentar a bancada governista na Alba, elegendo mais deputados estaduais do PT e aliados.
Os detalhes completos de propostas e táticas de campanha serão apresentados por Jerônimo e ACM Neto em seus respectivos planos de governo, que precisam ser entregues à Justiça Eleitoral dentro do prazo estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

