Dormir com fones de ouvido, um hábito comum para muitas pessoas, pode trazer sérios riscos à saúde auditiva e à qualidade do sono, segundo especialistas. A prática de vedar o canal auditivo por longos períodos facilita infecções e impede o cérebro de atingir o sono profundo.
O otorrinolaringologista Tiago Felipe Vasconcelos Gonçalves, especialista em sono e cooperado da Unimed-BH, explicou que o uso prolongado de fones intra-auriculares cria um "efeito de oclusão". Este efeito bloqueia a ventilação natural do conduto auditivo externo, essencial para o equilíbrio da microbiota local.
De acordo com o Dr. Tiago Vasconcelos, o ambiente abafado e úmido gerado pela vedação por sete ou oito horas funciona como uma incubadora ideal para a proliferação de bactérias e fungos. Isso pode resultar em quadros de otite externa, uma infecção dolorosa no ouvido.
Riscos de infecções e danos físicos
Além das infecções, o uso de fones de ouvido durante o sono interfere na limpeza natural do corpo. A cera, que migra espontaneamente para fora do ouvido, é empurrada para o fundo do canal pela presença do fone, conforme o especialista da Unimed-BH.
A Cleveland Clinic, nos Estados Unidos, complementa que a cera compactada pode gerar zumbidos, abafar a audição e exigir remoção mecânica por um médico. A falta de higiene dos fones agrava o cenário, aumentando o risco de infecções, especialmente ao compartilhar o acessório.
O atrito constante do equipamento contra o travesseiro também pode esmagar estruturas sensíveis da orelha externa. A compressão prolongada do pavilhão auricular provoca dor local e irritação na pele, podendo evoluir para processos inflamatórios na cartilagem.
A Cleveland Clinic e o EMC Health Care classificam o uso de fones mal ajustados como fator de risco para necrose. A pressão do aparelho corta o fornecimento de sangue para os tecidos internos do canal auditivo, causando a morte de células e lesões escurecidas na região.
Impacto na qualidade do sono
O cérebro humano não desliga a audição durante o descanso. O doutor Tiago Vasconcelos esclarece que as vias auditivas continuam funcionando em um nível de vigilância reduzido durante toda a noite. A EMC Health Care corrobora que a estimulação sonora contínua impede o repouso neurológico absoluto, mantendo o cérebro em alerta.
A estimulação sonora contínua fragmenta a arquitetura do sono. Estudos citados pelo Dr. Tiago demonstram que sons ininterruptos, mesmo como ruídos de chuva, reduzem a fase REM em cerca de 19 minutos e encurtam o Sono de Ondas Lentas, fases cruciais para o descanso e a recuperação cerebral.
Para quem não consegue abandonar o hábito de dormir com fones de ouvido, especialistas recomendam atenção ao volume e à higiene. É fundamental limpar os fones regularmente e evitar volumes excessivos para minimizar os danos à audição e ao sono.

