Dois homens foram condenados pelo assassinato de Mãe Bernadete Pacífico, ialorixá e líder quilombola, em Simões Filho, Região Metropolitana de Salvador. A sentença foi proferida após júri popular no Fórum Criminal Ruy Barbosa, quase três anos após o crime.
A decisão judicial classificou o delito como homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e uso de armamento restrito. Um dos condenados também responde pelo crime de roubo, conforme o processo.
Mãe Bernadete, 72 anos, foi executada com 25 disparos em agosto de 2023, dentro de sua residência no Quilombo Pitanga dos Palmares. Na ocasião, homens encapuzados invadiram o imóvel e retiraram três netos da líder religiosa antes de cometer o crime.
Contexto da violência contra quilombolas
O inquérito policial indicou que a execução foi ordenada por um chefe do tráfico de drogas da região. O caso evidencia a complexa intersecção entre a violência urbana, disputas territoriais e a fragilidade da proteção estatal em territórios quilombolas na Bahia.
A morte de Mãe Bernadete, que era uma referência na luta por direitos territoriais e igualdade racial, é um dos episódios mais emblemáticos da violência contra lideranças comunitárias e povos tradicionais no Brasil. Ela também atuava na defesa das tradições afro-brasileiras e no enfrentamento ao racismo institucional.
A condenação dos réus representa um marco importante no combate à impunidade em casos de violência contra quilombolas e lideranças religiosas de matriz africana. O advogado criminalista Hédio Silva Jr. atuou na acusação do caso, representando a família da vítima.

