Política

Delcy Rodríguez: Venezuela se governa sozinha, afirma presidente interina

Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, afirma que o país se governa sozinho após captura de Maduro e pede relação diplomática equilibrada com EUA.
Por Redação
Delcy Rodríguez: Venezuela se governa sozinha, afirma presidente interina

Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela -

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A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, garantiu nesta terça-feira (6) que o país está sob seu próprio comando e que não há qualquer “agente externo” controlando a nação sul-americana. A declaração forte veio dias depois da prisão do ex-presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em uma ofensiva militar dos Estados Unidos que aconteceu no último sábado (3).

Em um pronunciamento televisionado, Delcy Rodríguez enfatizou a soberania venezuelana, rebatendo afirmações do presidente dos EUA, Donald Trump, que havia declarado que a administração da Venezuela estaria agora sob responsabilidade da Casa Branca.

“O governo venezuelano governa o nosso país, ninguém mais. Não há nenhum agente externo governando a Venezuela. Este é um povo que não se rende, somos um povo que não desiste. Estamos aqui governando ao lado do povo”, declarou Delcy Rodríguez, reforçando a autonomia da nação.

Uma Nova Liderança em Tempos Desafiadores

Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina na segunda-feira (5), tornando-se a primeira mulher a governar a Venezuela. Ela, que era vice-presidente de Nicolás Maduro e a primeira na linha de sucessão, foi designada para o cargo pela Suprema Corte do país por um período de 90 dias, com possibilidade de prorrogação. Essa movimentação é vista por especialistas como uma estratégia legal para que Maduro, detido em Nova York sob acusações de narcotráfico e terrorismo, possa alegar imunidade como chefe de Estado em tribunais norte-americanos.

Em seu discurso de posse, Delcy Rodríguez expressou a dor pelo ocorrido, referindo-se a Maduro e Cilia Flores como "heróis que temos como reféns nos Estados Unidos". Ela também prestou homenagem aos "mártires que deram suas vidas defendendo a Venezuela", mencionando que, segundo dados oficiais, ao menos 55 militares venezuelanos e cubanos da equipe de segurança de Maduro morreram na ofensiva dos EUA.

“Venho com dor pelo sequestro de dois heróis que temos como reféns nos Estados Unidos”, disse Delcy em seu juramento, complementando: “Venho também com honra jurar em nome de todos os venezuelanos.”

Chamado à Diplomacia e Cooperação

Apesar da tensão, Delcy Rodríguez também estendeu a mão para um diálogo diplomático. Em uma publicação nas redes sociais no domingo (4), ela defendeu uma relação equilibrada e respeitosa com os Estados Unidos e com outros países da região. A presidente interina ressaltou a importância da igualdade soberana e da não interferência como pilares da diplomacia venezuelana.

“Consideramos prioritário avançar rumo a uma relação internacional equilibrada e respeitosa entre os EUA e a Venezuela, e entre a Venezuela e os países da região, baseada na igualdade soberana e na não interferência. Esses princípios norteiam nossa diplomacia com o resto do mundo”, escreveu Delcy.

Ela foi além, convidando o governo norte-americano para construir uma agenda de cooperação. O objetivo seria promover o desenvolvimento compartilhado, sempre dentro do direito internacional e buscando fortalecer uma coexistência comunitária duradoura entre as nações.