Uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso revelou que integrantes do Comando Vermelho (CV) exerciam uma espécie de “governo paralelo” em comunidades da região metropolitana de Cuiabá. O esquema foi alvo da Operação Ruptura CPX, deflagrada nesta terça-feira (31).
De acordo com as apurações, o grupo criminoso não se limitava ao tráfico de drogas e roubos, mas também estabelecia regras próprias nas áreas dominadas. A facção controlava a circulação de pessoas e determinava como atividades ilícitas deveriam ocorrer.
Segundo a Polícia Civil, o principal foco de atuação foi o Complexo Residencial Isabel Campos (CPX). No local, criminosos precisavam comunicar previamente qualquer ação aos responsáveis da organização, sob risco de punições internas.
Controle e Vigilância do CV
As investigações apontaram uma divisão territorial bem definida, com integrantes responsáveis por bairros específicos. Essa estrutura hierárquica reforçava o controle direto sobre as comunidades. A facção incentivava seus membros a residirem nas áreas dominadas, ampliando a influência local e facilitando a manutenção do sistema de governança.
As autoridades destacaram o uso de moradores como informantes. Segundo a polícia, integrantes da facção obrigavam pessoas da comunidade a monitorar a movimentação de viaturas e repassar informações em tempo real. Essa estratégia dificultava operações policiais e visava manter o domínio territorial, evitando a repressão do Estado.
A estrutura interna do Comando Vermelho era bem definida, com divisão de funções e cobrança de taxas entre membros. O grupo utilizava contas de terceiros para ocultar dinheiro de origem ilícita. Os crimes investigados incluem tráfico de drogas, roubos de veículos, furtos de armas e defensivos agrícolas, lavagem de dinheiro e apologia ao crime.
Operação Ruptura CPX
A Operação Ruptura CPX cumpriu 13 mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande e São Paulo. Entre os alvos está um investigado conhecido como MC, apontado como responsável por divulgar conteúdos que exaltavam a facção e suas lideranças, além de prestar apoio logístico ao grupo.
O nome da operação faz referência à tentativa de romper essa estrutura de domínio territorial e influência social criada pela facção. O objetivo é desarticular o “governo paralelo” imposto pelo CV nas comunidades da Grande Cuiabá.

