O consórcio de celular tem se popularizado entre brasileiros que buscam adquirir smartphones topo de linha, cujos preços superam os R$ 10 mil. A modalidade é vista como uma alternativa sem juros a financiamentos tradicionais, mas especialistas alertam para custos indiretos e riscos que nem sempre são claros na divulgação.
A Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) registrou um avanço de 10,2% no número de participantes ativos no segmento de eletroeletrônicos e bens móveis duráveis em 2025. Esse crescimento reflete a busca por planejamento e parcelamento previsível na compra de bens de alto valor.
Apesar da ausência de juros, o consórcio de celular envolve taxas de administração que podem variar entre 15% e 25% sobre o valor total do crédito. Cristiane Canton, coordenadora do curso de Ciências Contábeis da Afya, explica que essa taxa aumenta o valor final pago, mesmo sendo diluída nas parcelas.
Como funciona o consórcio de celular na prática
O consórcio funciona como um autofinanciamento coletivo. Um grupo de pessoas contribui mensalmente para um fundo comum. A cada mês, alguns participantes são contemplados por sorteio ou lance (antecipação de parcelas) e recebem uma carta de crédito para comprar o aparelho.
Ao ser contemplado, o consumidor recebe a carta de crédito, que permite a compra do celular à vista. Empresas como a Klubi, em parceria com a Vivo, oferecem simuladores onde é possível escolher o valor do crédito e verificar as parcelas projetadas.
Um levantamento interno da Klubi indica que 69,9% dos seus membros que usam o produto para eletrônicos optam por aparelhos da Apple, com o iPhone liderando as escolhas. Os modelos da Samsung aparecem em seguida, com 18,4% das preferências.
Custos e riscos do consórcio
A principal vantagem do consórcio de celular é a ausência de juros compostos. No entanto, a taxa de administração é um custo significativo. Em um smartphone de R$ 10 mil com taxa de 20%, o valor total pago pode chegar a R$ 12 mil, segundo Cristiane Canton.
Além dos custos, a modalidade apresenta riscos como a demora na contemplação, que pode fazer com que o modelo de celular desejado se torne obsoleto. Especialistas recomendam que o consumidor avalie cuidadosamente as condições contratuais e os prazos antes de aderir a um consórcio.

