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Cirurgia bariátrica: novas regras ampliam acesso na Bahia e no Brasil

Resolução do CFM permite procedimento para pacientes com IMC a partir de 30 e comorbidades, como diabetes e hipertensão, segundo especialista
Por Redação
Cirurgia bariátrica: novas regras ampliam acesso na Bahia e no Brasil
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Novas regras para a cirurgia bariátrica, em vigor desde o ano passado, ampliaram o acesso ao procedimento para pacientes com obesidade no Brasil. A mudança, estabelecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), permite que pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) a partir de 30, associado a doenças como diabetes e hipertensão, sejam elegíveis para a intervenção.

Anteriormente, os critérios exigiam um IMC acima de 35 com comorbidades ou acima de 40, independentemente de outras doenças. Segundo o cirurgião Raphael Lucena, especialista em emagrecimento, a atualização corrige uma realidade observada em consultórios, beneficiando pacientes que sofriam com a obesidade e suas complicações, mas não se encaixavam nos parâmetros antigos.

O médico, que já realizou mais de cinco mil cirurgias bariátricas, explicou que a decisão sobre o tipo de procedimento é individualizada. “Eu avalio cada paciente de forma individual, seu histórico, metabolismo, exames e comportamento alimentar para definir qual estratégia faz mais sentido”, afirmou Lucena.

Tipos de cirurgia bariátrica e o papel dos medicamentos

As cirurgias mais comuns no país são o bypass gástrico e o sleeve. O bypass, mais metabólico, é indicado para pacientes com IMC muito alto ou diversas doenças metabólicas, pois, além de reduzir o estômago, desvia parte do intestino, promovendo maior perda de peso e melhora de condições como diabetes e hipertensão. Já o sleeve gástrico, com efeito restritivo, apenas diminui o tamanho do estômago, influenciando na fome e na perda de peso.

Lucena ressaltou que medicamentos recentes para diabetes, como semaglutida e tirzepatida, não substituem a cirurgia bariátrica em todos os casos. Ele vê as medicações como ferramentas complementares, especialmente para pacientes com obesidade grau I ou sobrepeso com comorbidades. A cirurgia, contudo, permanece como o tratamento mais eficaz para casos avançados ou com metabolismo comprometido.

Para o sucesso de qualquer tratamento da obesidade, o especialista enfatiza a importância de uma mudança de hábitos alimentares, prática regular de atividade física e acompanhamento multidisciplinar. A obesidade, uma doença crônica e complexa, atinge mais de 8,6 milhões de pessoas no Brasil, segundo dados recentes, e seu tratamento deve ser iniciado o mais cedo possível, mesmo na fase de sobrepeso.