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CBF Lança Programa Inédito para Profissionalizar Árbitros

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) lançou um programa inédito para profissionalizar 72 árbitros, com salários, suporte técnico e psicológico, visando elevar o nível da arbitragem nacional e do Brasileirão Série A.
Por Redação
CBF Lança Programa Inédito para Profissionalizar Árbitros

Rodrigo Ferreira / CBF

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Uma mudança histórica promete transformar a arbitragem do futebol brasileiro. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) lançou nesta terça-feira (27) o primeiro programa de profissionalização da arbitragem nacional de sua história. A iniciativa visa elevar o nível dos jogos e garantir mais suporte e reconhecimento para quem está no centro das partidas.

Até agora, embora atuassem em um dos esportes mais profissionais do mundo, os árbitros brasileiros não tinham um vínculo formal com a CBF. Eles recebiam apenas por partida trabalhada, atuando como verdadeiros “freelancers”. Essa realidade muda a partir de agora.

Como Funciona o Novo Modelo de Arbitragem

O projeto da CBF prevê a contratação de equipes fixas de árbitros por temporada. Esses profissionais serão responsáveis por apitar os jogos do Brasileirão da Série A ao longo do ano. Com a profissionalização, eles passarão a ter salários mensais, além de taxas variáveis e bônus por desempenho. O objetivo é que se dediquem prioritariamente à arbitragem, sem a exigência de exclusividade.

Ao todo, 72 profissionais foram contratados para integrar o programa. Desse total, 20 são árbitros centrais (sendo 11 do quadro da FIFA, a Federação Internacional de Futebol), 40 são assistentes (com 20 também credenciados pela Fifa) e outros 12 (todos da FIFA) atuarão como árbitros de vídeo (VAR).

No final de cada ano, o programa prevê um sistema de meritocracia: pelo menos dois profissionais de cada função podem ser rebaixados, abrindo espaço para a promoção de outros que se destacaram durante a temporada. Assim, a CBF busca incentivar a alta performance e a constante evolução.

Foco no Apoio e Desenvolvimento

O presidente da CBF, Samir Xaud, destacou que o programa é um passo importante para a valorização dos árbitros.

É um movimento que segue as melhores práticas de outras grandes federações do mundo. Mais uma pauta que precisava ser estudada e discutida com todos os setores do futebol e implementada com firmeza, mas que estava adormecida na CBF.

Xaud enfatizou a importância do novo modelo para a vida desses profissionais, que, segundo ele, sempre estiveram no centro do campo, mas “viveram na periferia das atenções da CBF”.

Aqui nós estamos falando de pessoas, de pessoas que estão literalmente no centro do campo quando começam as partidas, mas que por décadas viveram na periferia das atenções da CBF, só ganhando relevância quando cometiam erros. E por que erravam? Primeiro, claro, por sermos seres humanos, todos nós erramos e continuaremos errando. Mas, por muitas vezes, porque faltava apoio, faltava investimento, preparo físico, faltava instrução técnica, faltava tranquilidade financeira, faltava apoio psicológico, tecnologia, faltava saúde e faltava uma trilha de desenvolvimento. Não mais.

Com o programa, os árbitros terão acesso a uma série de benefícios:

  • Apoio técnico e psicológico.
  • Preparação física específica.
  • Planos de treino individualizados com rotina semanal.
  • Monitoramento tecnológico.
  • Suporte na área de saúde, com preparador físico, fisioterapeuta, nutricionista e psicólogo.

Avaliação Contínua e Transparência

Além da nova remuneração e do suporte abrangente, os 72 árbitros serão avaliados de forma sistemática. Observadores e uma comissão técnica contratada pela CBF darão notas com base em diversas variáveis, como:

  • Controle de jogo.
  • Aplicação das regras.
  • Desempenho físico.
  • Clareza na comunicação.

Essas avaliações integrarão um ranking que será atualizado a cada rodada, promovendo transparência e feedback contínuo. Além disso, passarão por quatro avaliações anuais, que incluem testes físicos e simulações de jogo.

O programa, desenhado ao longo do ano passado por um grupo de trabalho liderado por Netto Góes, Helder Melillo e Davi Feques, contou com a participação de 38 clubes das Séries A e B, consultores internacionais, árbitros e diversas federações e associações. Com início oficial em março, quando as contratações e o novo padrão de funcionamento estarão implantados, a CBF prevê um investimento de R$ 195 milhões para os biênios de 2026 e 2027.