O mercado de carros automáticos acessíveis no Brasil se expande com a chegada de novos modelos e tecnologias. Veículos com transmissão automática ou condução sem troca de marchas, incluindo elétricos, estão disponíveis por até R$ 120 mil, segundo levantamento do A TARDE AUTOS com base em dados de montadoras e publicações especializadas.
Essa mudança reflete o avanço dos motores turbo em versões de entrada, o domínio do câmbio CVT entre os compactos e a crescente presença de elétricos e SUVs em faixas de preço mais competitivas. O carro automático, antes restrito a versões mais caras, agora estabelece um novo piso de preço, dificilmente abaixo dos R$ 100 mil.
Segundo Eder Polizei, especialista em mercado automotivo e diretor da Place Logistics, o atual patamar de preços não é uma distorção recente. Ele explica que um carro popular dos anos 1990, corrigido pela inflação e com os itens de segurança e tecnologia que hoje são padrão, já se aproximaria dos R$ 100 mil.
Modelos a combustão e elétricos se destacam
Entre os carros automáticos acessíveis a combustão, o Fiat Argo Drive 1.3 CVT, a partir de R$ 107.790, mantém a proposta de entrada com foco em consumo. Já o Citroën C3 You!, entre R$ 107 mil e R$ 110 mil, e o Peugeot 208 Active Turbo, a partir de R$ 109 mil, exemplificam a popularização dos motores turbo combinados ao câmbio CVT, oferecendo mais eficiência e desempenho.
Polizei destaca que a adoção de motores turbo está ligada à busca por eficiência e escala. Os motores são projetados para operar com turbo desde a origem, garantindo melhor desempenho em baixas rotações, menor consumo e redução de emissões. A produção em larga escala tornou essa tecnologia acessível a modelos de entrada.
A "SUVização" também alcança o segmento de carros automáticos acessíveis, com modelos como o Citroën Basalt Feel Turbo CVT, na faixa de R$ 112 mil a R$ 115 mil. SUVs atuais, derivados de plataformas de carros de passeio, reduzem custos de produção e oferecem conforto para o uso urbano, que é predominante.
O Chevrolet Onix Turbo AT, vendido na faixa de R$ 113 mil, mantém o equilíbrio entre consumo, desempenho e conforto, o que o consolida entre os mais vendidos. A escala produtiva também contribui para o avanço dos automáticos, pois o custo unitário das transmissões cai com o aumento do volume de produção, tornando-as mais viáveis que as versões manuais em alguns casos.
Os modelos elétricos, por dispensarem a troca de marchas, também se inserem nesse recorte de carros automáticos acessíveis. O Renault Kwid E-Tech, a partir de R$ 99.990, e o BYD Dolphin Mini, na faixa de R$ 115 mil, são exemplos de opções elétricas com proposta urbana e maior autonomia, respectivamente.
Apesar do avanço, o segmento de elétricos ainda enfrenta desafios, como a questão do valor de revenda, um fator importante para o consumidor brasileiro. O cenário atual mostra que o câmbio automático se consolidou como padrão nas versões de entrada, enquanto elétricos e motores turbo disputam espaço, oferecendo mais tecnologia e diversidade, mas dentro de um novo patamar de preço que redefine o conceito de carro popular no Brasil.

