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Carnaval acende alerta para a ‘doença do beijo’ e outras infecções

Médico infectologista Celso Granato alerta sobre o risco de contrair mononucleose, a 'doença do beijo', e outras infecções virais transmitidas pela saliva durante o Carnaval, mesmo sem sintomas.
Por Redação
Carnaval acende alerta para a ‘doença do beijo’ e outras infecções

O aumento do contato físico durante o Carnaval favorece a circulação de vírus transmitido pela saliva -

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A época de folia, com seus ensaios, festas e o tão esperado Carnaval, é sinônimo de alegria e muita interação. Mas, no meio de tanta celebração, existe um alerta importante para a saúde: o aumento do contato físico favorece a circulação de vírus que se espalham pela saliva. Uma das infecções mais conhecidas neste período é a mononucleose infecciosa, carinhosamente chamada de “doença do beijo”.

O grande problema é que essa doença pode ser transmitida mesmo quando a pessoa que está com o vírus não apresenta nenhum sintoma. Segundo o infectologista Celso Granato, diretor Clínico do Grupo Fleury, que inclui a Diagnoson a+ na Bahia, a maioria dos adultos já teve contato com o vírus, muitas vezes sem nem perceber.

A ‘Doença do Beijo’ e o Risco Silencioso

A mononucleose é causada por um vírus bem particular: ele se instala no corpo e não vai embora completamente, mesmo depois que os sintomas somem. Isso significa que o vírus fica “morando” na garganta ou nas amígdalas da pessoa e, de tempos em tempos, é liberado na saliva. Por isso, a infecção pode ser transmitida facilmente, mesmo por quem não está doente no momento.

“Esse é o nome popular antigo da mononucleose infecciosa, uma doença causada por um vírus que tem uma característica peculiar: depois que a pessoa teve essa infecção, nunca mais se livra completamente do vírus. Isso porque o vírus fica ‘morando’ na garganta ou nas amígdalas do indivíduo que, periodicamente, o elimina na saliva”, explica o infectologista Celso Granato.

A prova de quão comum é esse vírus está nos números: mais de 90% da população adulta já possui anticorpos contra ele. Ou seja, em algum momento da vida, essas pessoas entraram em contato com o vírus, mesmo que nunca tenham tido um quadro clínico claro da doença.

“Caso você entre em contato com uma pessoa que o está expelindo, ainda que não esteja doente naquele momento, poderá contrair a infecção”, alerta o médico.

Quem Sente Mais os Sintomas e Como Cuidar

A “doença do beijo” costuma se manifestar mais em adolescentes e adultos jovens. Os sintomas podem ser bem incômodos e durar algumas semanas. Fique atento a:

  • Febre: Um dos primeiros sinais.
  • Dor de garganta: Que pode ser bem forte.
  • Gânglios inchados: Popularmente conhecidos como “ínguas”, especialmente no pescoço.
  • Manchas vermelhas pelo corpo: Podem aparecer em alguns casos.
  • Aumento do fígado e baço: Mais raramente, mas possível.

O cansaço intenso e a indisposição são características marcantes da mononucleose. Como não existe um remédio específico para acabar com o vírus, o tratamento é focado em aliviar esses sintomas. O repouso é fundamental, especialmente se houver aumento do baço, para evitar complicações mais sérias.

Outras Infecções Transmitidas pelo Contato Próximo

Além da mononucleose, o contato com a saliva pode transmitir outras infecções, e é bom ficar de olho:

  • Herpes Simples tipo 1: Causado por um vírus da mesma família da mononucleose, também permanece no corpo por toda a vida. Embora muitas pessoas o tenham, apenas uma a cada cinco apresenta as famosas lesões recorrentes (aquelas feridinhas na boca).
  • HPV (Papilomavírus Humano): O especialista também faz um alerta sobre este vírus, que pode causar verrugas. Conhecidas como “crista de galo”, elas podem surgir não só na região genital e anal, mas também na boca.

Cuidado Além do Beijo: Copos, Talheres e Tosses

A transmissão não se limita apenas ao beijo. Em ambientes de festa e aglomeração, o compartilhamento de objetos pessoais é um grande facilitador para a propagação desses vírus. Copos e talheres, por exemplo, são veículos comuns. E não é só isso: estar muito perto de alguém que tosse também pode ser o suficiente para ser infectado.

A Recomendação Final do Especialista

Diante de qualquer sintoma diferente depois da folia, a melhor atitude é a mesma de sempre: procure um médico. Somente um profissional de saúde poderá dar o diagnóstico correto e indicar os cuidados necessários para que você se recupere bem e sem complicações.