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Canetas emagrecedoras: ginecologistas alertam para risco de gravidez indesejada

Medicamentos como Ozempic e Mounjaro podem reduzir a eficácia de anticoncepcionais orais, segundo especialistas, devido à ação no sistema digestivo
Por Redação
Canetas emagrecedoras: ginecologistas alertam para risco de gravidez indesejada
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Ginecologistas alertam para um risco pouco conhecido associado ao uso de canetas emagrecedoras, como Ozempic e Mounjaro: a possível interferência na eficácia de anticoncepcionais orais. A preocupação é com o risco de gravidez indesejada em mulheres que utilizam esses medicamentos para tratar diabetes ou perder peso.

A interferência ocorre porque as canetas emagrecedoras, que contêm substâncias como liraglutida, semaglutida ou tirzepatida, agem no sistema digestivo. Elas retardam o esvaziamento gástrico, prolongando a sensação de saciedade.

Segundo a ginecologista Mariane Nadai, essa alteração no funcionamento do trato gastrointestinal pode reduzir a absorção do anticoncepcional oral. "Quando o esvaziamento do estômago acontece de forma mais lenta, existe a possibilidade de o organismo não absorver o medicamento da mesma maneira, o que pode comprometer a eficácia do método", explica a médica.

Recomendações da FEBRASGO e acompanhamento médico

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) já se pronunciou sobre o tema em julho do ano passado. A entidade afirmou que os maiores impactos foram observados no uso da tirzepatida (Mounjaro), mas ressalta a necessidade de estudos mais aprofundados.

A FEBRASGO fez recomendações importantes para mulheres em idade fértil que usam esses medicamentos. Entre elas, estão a troca do método contraceptivo ou a associação com métodos de barreira, como preservativos, DIU ou implante hormonal de longa duração.

A entidade também recomendou a suspensão da medicação pelo menos um mês antes de uma eventual gravidez, pois não há segurança de uso durante a gestação e amamentação. A doutora Mariane Nadai reforça que o diálogo com o ginecologista é fundamental para garantir a eficácia contraceptiva e a segurança do tratamento.

Além disso, a endocrinologista Camila Viecceli, do Hospital da Bahia, destaca a importância do acompanhamento médico durante todo o tratamento. Segundo a especialista, cerca de 30% dos pacientes podem apresentar reações adversas que exigem intervenção, e a perda de peso deve ser acompanhada de reeducação alimentar e exercícios físicos.