A Bahia deve registrar 1.370 novos casos de câncer de colo de útero entre 2026 e 2028. A estimativa é do Instituto Nacional de Câncer (Inca), que aponta a doença como a sexta mais frequente entre mulheres no estado.
Em Salvador, a capital baiana, são esperados 250 novos diagnósticos no mesmo período. O câncer de colo de útero é considerado uma doença silenciosa, pois não apresenta sintomas em seu estágio inicial.
Nacionalmente, o Inca estima mais de 19 mil novos casos anuais da doença no Brasil para o triênio. A Bahia supera estados do Sudeste, como São Paulo, em número de casos, ficando abaixo de regiões com maior vulnerabilidade, como Maranhão e Amazonas.
Março Lilás e a importância da prevenção
A campanha Março Lilás, criada pelo Governo Federal, ocorre durante este mês com o objetivo de conscientizar a população sobre o câncer de colo de útero. A iniciativa busca alertar para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, que pode ser feito por meio do exame Papanicolau.
Segundo Marcella Salvadori, oncologista clínica especialista em tumores femininos da clínica AMO, o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura. "Quando diagnosticado precocemente, o câncer de colo do útero tem altíssimas taxas de cura", afirmou a médica.
A doença é causada pelo Papilomavírus Humano (HPV), que está presente em 100% dos casos. O vírus provoca lesões no colo do útero, que podem ser detectadas em exames ginecológicos como o colposcópio, antes do surgimento de sintomas.
Sintomas e tratamento do câncer de colo
Os sintomas do câncer de colo de útero surgem apenas em estágio avançado. Entre eles, estão sangramento vaginal fora do período menstrual ou após relações sexuais, corrimento vaginal persistente com odor, dor pélvica ou durante a relação, e sintomas urinários.
O tratamento varia conforme o estágio da doença. Em fases iniciais, pode envolver cirurgia para remoção parcial ou total do colo do útero. Em estágios avançados, são indicados quimioterapia e radioterapia para combater as células cancerígenas.
A prevenção do câncer de colo de útero inclui o uso de preservativos, acompanhamento médico regular e a vacinação contra o HPV. A vacina é gratuita pelo SUS para jovens de 9 a 19 anos e oferece alta eficácia na prevenção das lesões precursoras.
Baixa cobertura vacinal em Salvador
Apesar da gratuidade, a cobertura vacinal contra o HPV em Salvador e na Bahia está abaixo da média esperada. Dados do Anuário VacinaBR 2025, do Instituto Questão de Ciência (IQC), indicam que alguns bairros periféricos da capital baiana não atingem 70% de imunização.
Marcella Salvadori ressalta a necessidade de retomar campanhas de vacinação em escolas e intensificar as ações de informação. "O câncer de colo do útero é uma doença altamente prevenível e curável quando diagnosticada precocemente", concluiu a oncologista.

