O Brasil deve registrar 53.810 novos casos de câncer de intestino entre 2026 e 2028, conforme dados divulgados pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca). A doença, que afeta o jornalista Chico Pinheiro, 72 anos, serve de alerta para a população sobre a importância do diagnóstico precoce e da prevenção.
A oncologista Julia Andrade, especialista em tumores gastrointestinais da clínica AMO, em Salvador, ressalta que o câncer colorretal é o segundo tipo mais frequente em homens e mulheres. O aumento de casos tem sido notado, principalmente, entre pessoas com menos de 50 anos.
Segundo a médica, essa elevação está relacionada a mudanças no estilo de vida. Entre os fatores de risco estão o sedentarismo, a obesidade e o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, embutidos e bebidas alcoólicas.
Sintomas e Diagnóstico Precoce
A atenção a sintomas recorrentes é fundamental para a detecção da doença. Julia Andrade destaca sinais como mudança no hábito intestinal (diarreia ou constipação persistente), alteração no formato das fezes, presença de sangue nas fezes, dor abdominal, sensação de evacuação incompleta, anemia sem causa aparente, perda de peso e cansaço.
É importante frisar que, nas fases iniciais, o câncer de intestino pode não apresentar sintomas, o que reforça a necessidade de exames preventivos. A colonoscopia é um dos principais aliados, permitindo a visualização do interior do cólon e a identificação de pólipos ou tumores.
De acordo com a oncologista, quando o câncer colorretal é detectado precocemente, o tratamento pode ser realizado durante a própria colonoscopia. Isso evita cirurgias maiores e reduz a necessidade de quimioterapia e radioterapia.
Prevenção e Exames Essenciais
A prevenção do câncer de intestino está diretamente ligada a hábitos de vida saudáveis. A prática regular de atividade física, a manutenção do peso adequado e uma alimentação rica em fibras, frutas, verduras e legumes são essenciais.
Além da colonoscopia, a retossigmoidoscopia também é um exame fundamental para a detecção do câncer colorretal. Ambos permitem a visualização direta do intestino grosso e a identificação de lesões pré-cancerígenas, como os pólipos adenomatosos, que podem ser removidos antes de evoluírem para câncer.
A médica Julia Andrade acrescenta que o teste de sangue oculto nas fezes pode ser usado como método de triagem. Ele auxilia na seleção de pacientes que necessitam de investigação complementar com colonoscopia.

